quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nostradamus, mas nós publicamos

(por *Susan Liesenberg)

O jornalismo (principalmente o impresso, como vaticinam) não vai morrer, o papel não vai acabar e a roda - de ciranda, de violão, de carroça, da fortuna... - continuará a existir. Nada matará nada (ainda bem) e ninguém substituirá ninguém (o que pode ser triste, na falta de alguém querido). Apocalipse (now) é só um filme. E um livro da Bíblia, ok.

Sempre teremos olhos - e eles são, por si, curiosos e abertos - e essas duas circunferências agitadas e atentas que desvendam os mistérios escondidos sob a luz sempre vão querer ler o mundo. Essa leitura, de palavras em linhas e superfície em imagens, como disse Flusser, sempre será necessária, desde o primeiro piscar, ao nascermos, até o último deitar das pálpebras, naquele dia. Entre um momento e outro, percorreremos o mundo com eles, vasculharemos cantos, esquinas, páginas e paisagens. Olharemos, leremos.

Na mídia - seja na TV, no jornal jornal, na internet, na fotografia - continuaremos a ver, a ler. E por trás do que vemos, haverá alguém que somos. Informações não brotam de um pé de si-mesmas. Surgem às nossas vistas porque alguém do outro lado delas assim fez à luz - sempre ela - das possibilidades técnicas. E aí está o fascínio da comunicação: dos homens, e para eles. Sempre terá de ter alguém do outro lado da lente, da tela e do som. Falar de máquinas como se fossem fantasmas vagantes que nos assombram e sobre quem não temos gerência é mítico: serve para alimentar os romantismos das nossas narrativas terrenas, mas é apenas sonho.

O Jornalismo, ou seja lá o nome ou utilidade que terá, não vai morrer. Ele precisa do homem como o homem precisa dele. E as máquinas não sabem disso. Não há porque temê-las.

O U2, a sociedade do espetáculo e a convergência de mídias


(por *Glaucir Borges)

As colegas Susan e Ariela citaram o show do U2 transmitido ao vivo pelo youtube no ano passado. Mas a relação dos quatro rapazes de Dublin com a ode e crítica a pós-modernidade, as novas mídias e a sociedade do espetáculo, remonta ao inicio dos anos 90 com a ZOO TV tour. Uma das mais originais turnês de uma banda de rock de todos os tempos, a ZOO TV foi a turnê dos discos Achtung Baby, do mega clássico One, e Zooropa.

O U2 começou os anos 90 querendo se renovar. Era uma época conturbada, o mundo vivia sob o holofote da primeira guerra do golfo. No momento do inicio do show, quando as luzes se apagam, os 36 televisores espalhados pelo palco mostram sinal de estática e uma grande trombeta toca em um dos telões. Em seguida aparecem de maneira frenética, imagens de esporte, política, saúde, ciência e moda.

Enfim, quando começam os primeiros acordes de ZOO Station, a primeira música, Bono surge em uma plataforma com a imagem da bandeira da União Européia ao fundo. Vestido todo de couro reluzente, óculos escuros, gel no cabelo e fumando, o vocalista não parece o mesmo bom moço da década anterior. Era o figurino de The Fly, o astro do rock arrogante, um dos personagens que Bono havia criado para aquela turnê.

Na segunda música, The Fly, sob o poderoso riff de guitarra de The Edge, projetavam-se mensagens subliminares que quase não se podia definir. Frases cínicas e de inspiração. Um bombardeio dos sentidos:

TUDO O QUE VOCÊ SABE ESTÁ ERRADO
DESFRUTE DA SUPERFÍCIE
A AMBIÇÃO RÓI AS UNHAS DO SUCESSO
ACREDITE EM TUDO
O GOSTO É INIMIGO DA ARTE
CREIA
ASSISTA MAIS TELEVISÃO
CELEBRIDADE É ALEGRIA
ZOMBE DO DIABO
A CULPA NÃO É DE DEUS
A EVOLUÇÃO ACABOU
ROCK É ENTRETENIMENTO
O SERVIÇO NÃO ESTÁ INCLUÍDO
É O SEU MUNDO – VOCÊ PODE MUDÁ-LO

Steve Stockman, no livro Walk On, A jornada espiritual do U2 fala deste momento: "Foi uma sobrecarga de mensagens subliminares pós-modernas, que contradiziam umas às outra e deixaram a platéia chocada e confundida pela tela. Ao mesmo tempo, ela quase celebrou e denegriu o mundo pós-moderno", definiu o autor.

Cientistas comprovam: "Você é você. Hoje, amanhã e sempre"

(por *Susan Liesenberg)

Felipe Milanez, editor da National Geographic Brasil, da Editora Abril, foi demitido após criticar uma reportagem da revista Veja, publicada pelo mesmo grupo midiático, no Twitter.

Diretor da Locaweb, Alex Glikas, também passou pela última vez no RH ao provocar os torcedores são-paulinos com a frase "chupa bambizada timão eoooooooo" no microblog.

Octavia Nasr, do canal americano CNN, igualmente recebeu o cartão azul da empresa ao postar na rede social uma frase lamentando a morte de um aiatolá, uma afronta evidente aos americanos por razões que estamos com turbante na cabeça de saber (e Octavia certamente também estava).

Os três casos são recentes e retratam bem a confusão dos profissionais de comunicação com relação às redes sociais: para o público, não há distinção do sujeito, como se houvesse um alter ego que separasse Felipe, Alex e Octavia entre pessoas físicas e jurídicas.

É evidente que nos três casos citados, os jornalistas emitiram opiniões pessoais, mas para o leitores, o Felipe da revista e o Felipe do Twitter, por exemplo, são o mesmo, e são. O que leva um profissional de comunicação, que tem a visibilidade de sua imagem atrelada a uma empresa da área, a querer distinguir um momento - o pessoal - de outro - o particular?

Deixo como resposta o post do editor-executivo do Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS, Fabrício Cardoso, sobre o assunto.

Internet é a 2ª mídia com mais credibilidade

(por *Susan Liesenberg)

Ao notar que muitos colegas aqui do blog levantam a questão da confiabilidade das notícias publicadas online, lembrei também da pesquisa que aponta que a Internet é a segunda mídia com mais credibilidade. E, pasmem os mais tradicionalistas em termos de consumo de mídia, os sites estão à frente dos veículos impressos.

Para a pesquisa, cujo resultado foi divulgado em novembro de 2009, foram ouvidas 2,5 mil pessoas nas nove maiores capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre, entre agosto e setembro do ano passado.

A TV aparece na ponta, com 55,9% da preferência dos entrevistados - todos maiores de 16 anos - na escolha de veículo em que mais se pode confiar.

Recomendo a leitura dos dados, a metodologia da pesquisa e uma reflexão sobre a mudanças dos nossos hábitos de consumo de informação.

De minha parte, como análise, creio que muito da nossa resistência em confiar em fontes ou meio venha da nossa construção positivista de atribuir confiabilidade àquele ou àquilo que conhecemos a mais tempo, o que é natural do homem, à nossa formação. Mas, sendo a internet nossa presente e fututa companhia, acredita que seja necessário buscar nela os caminhos mais confiáveis de onde tiraremos nossas informações.

E como saber se podemos confiar nela ou em que site confiar? Da mesma forma como aprendemos a confiar em amigos, vizinhos, conhecidos: pela experiência, pela observação atenta e pelo nosso faro pessoal. Certamente podemos nos decepcionar em alguns casos. A vida é assim. Com a internet não seria diferente, e acho que, por isso, ela merece um bom crédito. Não há porque ser tão duro com ela se é fato que o exercício da confiança é diário, é uma construção de cumplicidade. Acusá-la de inconfiável antes de dar-lhe este crédito seria o mesmo que continuar a acreditar em tudo o que a TV diz - e a quem nós dedicamos mais da metade de nossa audiência e confiança, a exemplo da pesquisa. É tempo de rever - telas e conceitos.

Eu curto!


(por *Susan Liesenberg)


Textos curtos são mais lidos do que os mais generosos em suas linhas. É matemático, e quase publicitário. Menos palavras, menos leitura. A não ser que quem as tenha escrito - as linhas corridas sobre a tela ou o papel - seja dono daquele tipo de texto cada vez menos visto: o envolvente até o ponto final.

Aqui, na internet - e, preponderamente, no jornalismo digital -, cada vez mais se vê a redução deles, mas mais pelo atendimento da rapidez que a instantaneidade do meio requer do que pela "superficialidade" a que costumeiramente o relegamos.

Se não se julga um livro pela sua capa, o mesmo eu diria de um texto: considerá-lo superficial pela rapidez da apresentação de seu conteúdo me parece ser igualmente precipitado. Profundidade e tamanho não são a mesma coisa, embora nosso olho esteja adestrado para considerar assim à primeira vista de uma página dupla de um jornal impresso, por exemplo. Quanta informação! Não significa por isso, no entanto, que um post de dois parágrafos, por exemplo, não seja tão ou mais concentrado e potente informativamente do que as tantas folhas impressas. Conteúdo é potencialidade de informação, e não centimetragem.

Sobre isso, recomendo a leitura de Os textos leves e curtos da internet estão nos deixando mais burros?, postado hoje no clibRBS e publicado esta semana no caderno Nosso Mundo Sustentável. E um aviso: a redação é extensa, mas vale a leitura.

Isso é jornalismo 2010


(por *Susan Liesenberg)

O post da colega Ariela Dedigo, ao citar a cooptação de produções amadoras disponibilizadas na internet e aproveitadas por outros veículos de comunicação como material jornalístico, me inspira a escrever sobre o vendaval seguido de cheias ocorrido em novembro do ano passado no Rio Grande do Sul.

No dia 18 de novembro de 2009, as principais chamadas do site zerohora.com noticiavam a chegada de pancadas de chuvas e ventos fortes ao Estado. No dia seguinte, a previsão se confirmou. Na fronteira noroeste do Estado, rajadas sopravam já na alvorada trazendo chuva pesada. Por volta do meio-dia, na Capital, o dia virou noite em minutos e um dilúvio caiu sobre o Rio Grande.

Criada em meados de 2009, a conta twitter.com/zerohora foi um dos principais canais de trocas de informações e envio de materiais naquele dia – com destaque para o encaminhamento de vídeos do temporal e fotos da destruição da intempérie, mandados por leitores – num volume de informações nunca antes visto ou possível de ser alcançado na história do Grupo RBS, conforme foi admitido pela empresa.

Como resultado dessa fluência de dados que a conta no Twitter da Zero Hora possibilitou, mobilizou e gerenciou, o alto índice de audiência alcançado no dia – de 342.772 acessos individuais, quando numa data “normal” a média é de 270 mil – ressalta o interesse do leitor que acompanhava o site.

Sobre a alta audiência, a editora do site zerohora.com, Marlise Brenol, explica que a disponibilização de um canal de colaboração com o leitor para envio de dados sobre o vendaval possibilitou tal cobertura, e com tal amplitude e velocidade.

– Legal também registrar que a cobertura ultrapassou o ambiente ZH. Usamos muito redes sociais para nos comunicar com os leitores: covert live e Twitter com audiência de mais de 22 mil leitores e mais de 800 comentários. Sem falar na história pitoresca do surfe no dilúvio que entrou no blog “Pense www” e que foi o post mais lido da história do blog com a matéria O Surfista do Dilúvio, totalizando 25.185 views.

Em poucas palavras: isso é jornalismo 2010.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Redações Integradas

(por *Daiana Lenz)

No livro Resistências de La Integración, uma análise contempla diversos cases de veículos de comunicação que tiveram dificuldades ao implantarem mudanças em suas redações, além disso, o autor faz uma análise dos problemas enfrentados pelos veículos neste período de transição.

Os periódicos estão mudando sua forma, são novos rumos para o futuro dos jornais, pois a s tecnologias estão mudando as formas de fazer o impresso.

Os periódicos apresentam certa resistência à integração das redações, mas ao mesmo tempo, sabem que será preciso mudar a forma e buscar novas soluções e uma revolução do conteúdo. Estão em busca de reforço a credibilidade do digital, estimulando a criação de conteúdos multimídia. As vantagens de redações integradas são muitas, entre elas, um custo menor que as independentes.

A tecnologia tomou conta do público que consome as informações, hoje é difícil construir um projeto sem mudar a cultura profissional daqueles que fazem o jornalismo diário, a empresa precisa escutar os seus colaboradores. Porém algumas medidas tomadas muitas vezes por gestores podem ser prejudiciais à qualidade das informações dos veículos, como a troca de profissionais experientes por novos e redução de salários visando à ampliação de lucros. Estes fatores podem resultar em redações cada vez mais enxutas, com mais trabalho e falta de qualidade.

As empresas jornalísticas passam a produzir muito conteúdo com pouco aprofundamento, onde os valores giram em torno de quanto mais conteúdo melhor. Além disso, o número de profissionais é reduzido e as condições de trabalho tornam-se desfavoráveis, onde uma pessoa passa a fazer o trabalho de três.

A idéia de convergência significa muito mais do que uma simples mudança de tecnologias e meios, ele atinge o modo de ofertar informação para quem a recebe, sejam eles jovens, crianças, adultos ou idosos. A qualidade do conteúdo deve ser preservada.

Salaverría: "A regeneração do jornalismo na internet depende da excelência de quem vai exercê-lo."

(por *Susan Liesenberg)

Ramon Salaverría, um dos mais importantes estudiosos de Jornalismo Digital do mundo e diretor do Laboratório de Comunicação Multimídia da Universidade de Navarra, na Espanha, disponibilizou recentemente em seu blog parte de seu mais recente livro, "Ciberperiodismo sin periodistas? Diez ideas para la regeneración de los profesionales de los medios digitales".

Já pelo o que o título sugere, se uma regeneração é sugerida, houve - ou há - uma deterioração em prática. Para ir direto ao principal ponto levantado por Salaverría, o autor coloca sem delongas: "A regeneração profissional do jornalismo na internet depende sobretudo da excelência de quem vai exercê-lo. Por isso, dedicarei uma última proposta não aos meios, mas a quem tem a responsabilidade de formar os jornalistas de amanhã: os professores de jornalismo."

Lúcido, equilibrado e sagaz, características que o fizeram ser reconhecido mundialmente, Salaverría resume, sem precisar mencionar o Brasil, ainda em debate sobre o tema, o verdadeiro cerne da questão sobre a atividade jornalística online, o que não incide sobre o diploma, como é desvirtuada a discussão sobre a formação na área por aqui, mas sim, ressalta a qualidade da qualificação educacional na formação universitária.

Como estamos formando os futuros profissionais de jornalismo, e não quem pode ou não praticar o jornalismo sob o subterfúgio da diplomação empapelada exibida e enquadrada por trás de uma moldura de parede, é o que deve ser discutido. Se em tempos de internet o papel perde sua hegemonia vencida pela tradição secular da celulose, o mesmo, pode-se dizer, tem ocorrido com a queda do diploma: árvores são poupadas e o debate retoma a raiz, que é o fazer, e não o poder.

Não são as máquinas que escravizam


Em O Mundo do Futuro, o colega Glaucir Borges questionava uma evolução tão grande das máquinas - até a existência própria - a ponto de nos escravizar. Dialogando com essa ideia creio que existe sim um processo de evolução, ou (in)volução dependendo da perspectiva, nas nossas relações com as máquinas inclusive no que se refere ao consumo artístico/cultural.

Se o que Glaucir percebe é uma tendência do espectador à assistir algo pela tela e depois, mesmo que esteja territorialmente no local onde o espetáculo ocorre; de outro lado temos uma demanda para que outras possibilidades desse consumo se efetivem. A exemplo disso temos a série Unstaged que o YouTube transmitirá. São cinco shows transmitidos pela plataforma VEVO que poderão ser vistos "ao vivo" por pessoas de qualquer parte do mundo - essa não é a primeira vez que o YouTube transmite um show nesses moldes, mas trata-se do primeiro produto produzido exclusivamente com esse fim . A evolução desse tipo de plataforma ainda permite um grau de interatividade que simula a participação e a interferência "real" do espectador virtual caso ele estivesse fisicamente no local uma vez que além de assistir, esse público poderá selecionar ângulos de câmera e votar em qual música deve ser tocada no bis. Ok, não é mais o grito fervoroso do fã na plateia... mas é mais uma possibilidade de interagir, de ampliar o público espectador e de atender uma demanda - comodista ou não - desse tipo de acesso e conforto.

Em tempo. Posto que muito do que vem sendo desenvolvido na área tecnológica é uma demanda dos indivíduos e da sociedade, parece que não são as máquinas que nos escravizam ou escravizarão por vontade própria. Nós somos aqueles que concedem à elas esse direito de escravizar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O mundo do futuro

(por *Glaucir Borges)

Na última sexta, dia 16, eu fui ao show do Capital Inicial, no Pepsi On Stage, em Porto Alegre. Lá eu me deparei com algo curioso e sintomático destes nossos tempos de hiperconexão. Logo depois de começar o show, a banda mal tinha aparecido para a primeira música, boa parte da platéia imediatamente sacou o seu celular e começou a gravar. Foi uma imagem impressionante, centenas de pessoas estáticas, assistindo ao show através de uma pequena tela, ao invés de pular e aproveitar os acordes do bom e velho rock and roll. Elas pareciam querer gravar o show para assistir em casa.

Na sociedade hiperconectada, muitos daqueles vídeos do show inevitavelmente foram parar no youtube. Primeiros erros em Porto Alegre, 16/07, postado por fulaninhadetal. Isso é o que Paula Sibilia chama de O show do eu. Todos querendo uma migalha de fama virtual, nem que seja através de Dinho Ouro-Preto e cia. A tecnologia muda cada vez mais a relação das pessoas com as outras pessoas e o mundo ao seu redor. Computadores, celulares, parecem se tornar extensões dos corpos das pessoas. Algo estranho para alguém como eu, que acessou a Internet pela primeira vez aos 16 anos e ainda compra CDs e livros de papel. Fico pensando se um dia, como no filme O Exterminador do Futuro, as máquinas ganharão existência própria e escravizarão a humanidade.

Fecha a conta e passa a régua!


(Por *Ariela Dedigo)

Falhas na gestão do sistema é a alegação da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro para mover uma ação civil pública contra o Google. O “monstro” da ação segunda matéria do G1 é o Orkut, a quem o órgão afirma ser palco para “condutas ilícitas e criminosas”. Mesmo que a rede social em si não seja o agente criminoso, a Procuradoria acredita que por não possuir nenhum mecanismo eficiente de controle do conteúdo que impeça que seja verificada a identidade de quem acessa o serviço, acaba favorecendo as práticas criminosas.

A ação solicita também que seja realizada uma campanha midiática para “alertar pais e responsáveis sobre os riscos de utilizar a internet e o Orkut”. É compreensível a preocupação da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, mas sempre que vejo notícias como esta questiono também até quando vamos culpar tecnologias e dispositivos por problemas sociais que existem no país. A campanha pode ser válida, mas mais uma vez parece que vamos recorrer a estratégias já vistas por aqui: elas duram um período e depois somem. Mas é claro, é mais fácil fazer campanhas pontuais, multar, censurar e fechar uma rede social do que investir em educação continua sobre esses temas ligados diretamente a rotina das pessoas, principalmente dessa geração Y e as próximas que virão por aí.

Gonzo Jornalismo?



(por *Ariela Dedigo)

Durante as enchentes no Rio de Janeiro em abril deste ano o grupo Rizoma realizou um vídeo no qual faziam uma travessia de bote nas imediações da Praça da Bandeira. Observa-se uma aproximação desse tipo de produção com o chamado Gonzo Jornalismo, uma narrativa na qual o jornalista, neste caso, o produtor de conteúdo já que não nos referimos necessariamente ao jornalismo, abandona qualquer pretensão de objetividade e se mistura com a ação que reporta.

No vídeo Enchente de Verdade, realizao pelo grupo, um dos integrantes entrevista pessoas paradas no trânsito em áreas alagadas e faz tomadas em locais nos quais, com equipamentos maiores e mais profissionais – se é que ainda é possível fazer essa distinção, seriam impossíveis ou no mínimo muito mais complicados de realizar.

Interessante também perceber que além de ser, por si só, um produto informativo – que foi disponibilizado na rede via youtube e vimeo, o vídeo desencadeou matérias sobre sua realização. Mas uma vez constatamos a apropriação de conteúdos da internet nos chamados “meios tradicionais”. Além disso, observa-se neste caso que a imagem – o vídeo – não é tratada somente como complementar à informação. Afinal, é ela quem deflagra o fato noticioso.