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sábado, 31 de julho de 2010

Fazenda Interativa

(por *Glaucir Borges)

As novas tecnologias podem ser importantes para qualificar e incentivar o acesso dos estudantes do ensino médio e fundamental a história e cultura de um país. Se o material for novo, atrativo, tiver muita imagem, um layout interessante e for sobretudo interativo, pode-se alterar a relação entre aluno e matéria. Pode-se estimular o interesse por história e matemática.

É o caso do CD multimídia, Fazenda do Socorro Vacaria/RS. O CD traz de maneira detalhada, a história da Fazenda, de sua principal proprietária, Lurdes Noronha, além de curiosidades como o culto a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a reforma de sua capela feita pelo arquiteto italiano Emilio Sessa. O CD é ricamente ilustrado com fotos de todos os períodos da Fazenda.

A Fazenda do Socorro tem sua origem quando José de Campos Bandemburgo, tropeiro, ao se dirigir as Missões, pelo chamado caminho das Missões, que passava por Vacaria, descobriu as terras da hoje chamada Fazenda do Socorro, fazendo delas seu pouso, reclamando sua posse posteriormente. Vai receber para si o que era originalmente chamado de Sesmaria. Têm-se ai o inicio do povoamento do que hoje é a cidade de Vacaria.

WikiLeaks

(por *Pedro Marques)

Os WikiLeaks, www.wikileaks.org, (cujo "leaks" vem de "vazamento", em inglês), criado em 2006, nunca receberam tanta atenção da mídia quanto agora. O site possui mais de 90 mil documentos que revelam informações secretas sobre a guerra no Afeganistão estremeceu as bases de autoridades dos Estados Unidos e Paquistão. Todos os documentos que possam interessar à população é divulgada abertamente na rede mundial de computadores.

O site já publicou informações que apontaram a ideologia xenófoba de um partido político de extrema-direita no Reino Unido, denunciaram o ataque indiscriminado do exército americano contra um grupo de civis iraquianos, mudou os rumos de uma eleição no Quênia, desagradou instituições financeiras na Suíça e defensores da cientologia.

Atualmente, o site diz ter recebido mais de um milhão de documentos. Em março deste ano, o serviço de inteligência dos Estados Unidos emitiu um ofício no qual declarava que o WikiLeaks representava uma "ameaça às Forças Armadas".

A política do WikiLeaks reflete a própria personalidade de Julian Assange (fundador, ex-hacker), uma figura discreta que evita ao máximo a exposição pública

O WikiLeaks não tem fins lucrativos, não tem uma sede própria e funciona com uma equipe de apenas cinco voluntários fixos - um grupo entre 800 e mil pessoas, entre técnicos em informática, advogados e jornalistas, colabora esporadicamente. As fontes que passam as informações para o grupo são confidenciais.

Com um conteúdo tão delicado, o site diz já ter derrubado mais de cem processos judiciais com o objetivo de suspender suas operações. Para se resguardar, o Wikileaks mantém seus arquivos hospedados em servidores espalhados por diversos países, e o principal é o sueco PeRiQuito (PRQ), que ficou famoso por hospedar o polêmico site de trocas de arquivos de música e vídeo The Pirate Bay.

Internet: o debate eleitoral ainda não aconteceu

(por *Pedro Marques)

O Brasil teria no dia 28 de julho o primeiro Debate das Eleições de 2010 pela internet e contaria com as participações dos portais IG, MSN, Terra e Yahoo! Mas não irão ocorrer, fora adiado, mas ainda sem uma explicação plausível. Porém, digo que seria o primeiro embate entre os candidatos, totalmente digital, e que atingiriam uma gama considerável da população brasileira e mundial. Os portais, referidos acima, representam 23 milhões de usuários únicos, atingindo 95% dos internautas de todo o País, segundo relatório do Ibope NetRatings, de junho de 2010.

Diferentemente dos debates tradicionais, o Debate On-Line 2010 promovido pelos portais iG, MSN, Terra e Yahoo! teria o usuário da internet como foco central na interação com os candidatos, com canal aberto no Twitter no @debateonlinebr para envio de perguntas no dia do evento.

O debate será(seria) aberto pelos próprios candidatos fazendo perguntas entre si sobre os temas que os internautas irão sugerir pelos portais, nos dias que antecedem o encontro.

Números da Web no Brasil e na América Latina:

* Até 2020, metade da população brasileira pertencente à Classe C terá acesso à internet em casa, e 60% dessas conexões serão de banda larga. (Fonte: Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração – Profuturo/FIA);

* As Classes D e E chegarão ao fim da década com 25% de seus domicílios conectados à web, dos quais um quarto fará acesso por meio de banda larga. (Fonte: Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração – Profuturo/FIA;

* Em dezembro de 2009, eram 67,5 milhões de internautas. Em setembro do mesmo ano, eram 66,3 milhões. Em apenas 3 meses surgiram 1,2 milhão de novos internautas, com mais de 16 anos, na internet. (Fonte: Ibope Nielsen Online – Jun/2010);

* Além disso, somos o 5º país com o maior número de conexões à Internet;

* Na América Latina, os brasileiros foram os que passaram mais tempo conectados à Internet, com média de 26,4 horas. (Fonte: comScore);

* 27,5 milhões acessam regularmente a Internet de casa. Isso sobe para 36,4 milhões se considerados também os acessos do trabalho. (Fonte: Ibope Nielsen Online – jul/2009).

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quanto pagamos pela essência?

(por* Patrícia Pinto Lemos)

Dia desses, ao levar a mão em um bolo artesanal na prateleira do supermercado, fiquei pensando o quanto se paga pela essência das coisas. Sim, porque o tal bolo dito artesanal era o dobro do preço de outros industrializados. Talvez eu tenha sido motivada pela saudade da comida da mãe. O fato é que hoje, na economia capitalista e com as relações humanas mediadas pela tecnologia, até a essência é vendável.

Não, o bolo não vai me trazer o tempero da vovó, mas a embalagem e a etiqueta o identificando como artesanal, faz com que nós, na carência das “coisas como eram antigamente”, compremos. E pior, nos cobram bem mais caro por isso em um produto que talvez tenha seus custos iguais ou inferiores aos demais. Ou você acha que o trigo teria sido colhido por virgens escandinavas durante uma aurora de outono? Que uma vovó ficou a tarde inteira sovando aquela massa? Infelizmente essa é a nossa ilusão, enquanto que panificadoras gigantes reproduzem milhares de quitutes e no rótulo da embalagem está estampado “Endereço: Distrito Industrial...”

Maldita carência! Oh, vamos crucificar os mouses, chips e os nós que nos escravizam e afastam das coisas da natureza! Claro que não! Mas é inegável a participação dos aparatos tecnológicos no cotidiano, sendo imprescindíveis no dia-a-dia de algumas pessoas. Para a Geração Y já é tão natural a necessidade da conexão em rede quanto o leite materno. Ao invés de bicicletas, videogames. O fato é que a tecnologia faz parte das nossas relações pessoais com o mundo, mediando quase tudo que fazemos.

Walter Benjamin já falava sobre a aura dos objetos em seu ensaio de 1936, chamado A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica. Para ele, a obra de arte é condicionada pela sua aura que implica na sua existência única, no lugar em que ela se encontra, compreendendo ainda a história. Ele dizia que a nossa vontade de ter tudo estimula a reprodução, que por sua vez retira o objeto do seu invólucro e destrói a sua aura.

E é essa aura fajuta que vendem em prateleiras do supermercado, num cotidiano onde a pressa mediada pela tecnologia reina, onde se consome, sem pensar, sem ver, sem cheirar, sem sentir. E assim vamos deixando pra trás a essência de algumas coisas. Não falo só de comida, como o caso do bolo, mas qual foi a última vez que você tocou a sola do pé na grama ou então sentiu a vibração dos acordes e da plateia em um grande show?

Mesmo sabendo que é inútil lutar contra as consequências do capitalismo e da sociedade em rede, devolvi o bolo “artesanal” na prateleira. Cheiro de terra molhada até pode ter valor de mercado para o empresariado dos produtos artesanais, mas o bolo de maçã com aveia e canela que minha mãe vai fazer este fim de semana pra mim, não tem preço.

Transparência Brasil



(por *Glaucir Borges) O portal Transparência Brasil é um importante mecanismo de fiscalização daqueles que detém os cargos públicos neste país. O Portal possui alto grau de funcionalidade e uma gama de informações qualificada e completa. Nele pode-se encontrar informações sobre todos os senadores, deputados e vereadores e ministros do supremo federal do Brasil. Também pode-se encontrar a lista de todas as licitações feitas no estado de Santa Catarina.

No Projeto Excelências, encontra-se informações sobre todos os ocupantes de casas legislativas do país. A navegação é boa e fácil. Através de um gráfico, com o mapa do país e a divisão de cada estrado podem-se acessar cada assembléia estadual, senado, câmara federal e ou câmaras municipais.

Podem-se encontrar informações sobre um deputado estadual do Rio Grande do Sul, pode-se usar como filtro de busca, agrupamento, nome, partido e assembléia legislativa. Na página do deputado encontramos a sua foto, votação na última eleição, e-mail e CPF. Também se pode encontrar dados relevantes, além de links para assiduidade, matérias legislativas, notícias de jornal sobre casos de corrupção, bens declarados, gastos , doações recebidas e feitas.

A nova ferramenta do portal é o Projeto Meritíssimos. Nele podemos averiguar o desempenho de todos os ministros do STF. No mecanismo de filtro podemos procurar os ministros através de seu nome, o perfil de classes processuais e ramos do direito. Depois de escolhido o ministro vamos encontrar informações da carreira de cada um, data de posse, número de processos e importantes quadros comparativos com os demais ministros sobre quantidade, tipos de processos e tempo de resolução de cada ministro para o processo. Também possui informações sobre como interpretar gráficos.

Dentro do portal encontraremos todas as licitações do estado de Santa Catarina desde 1997. Também de fácil navegação. Ele possui um mapa do estado com todas as cidades. Ao clicar em licitações e escolher uma data e um tema, por exemplo, montante pago por modalidade de licitação, ou valores pagos anualmente. Asa licitações são verificadas por municípios ou porte de municípios e empresas. Vamos encontrar também todos os valores e montantes pagos pelas empresas, produtos e indicadores de todos os municípios do Estado.

Também existe no portal um assistente de licitações com a legislação pertinente ao assunto, perguntas e respostas freqüentes aos processos licitatórios. O assistente também possui o módulo conformidade de licitação, que permite a comparação de uma data de licitação com o que é exigido por lei. Também possui uma ferramenta de consulta ao tribunal de contas do estado de Santa Catarina.

O portal Transparência Brasil é completo, são informações sobre todos os vereadores, deputados estaduais, federais e senadores do país, ministros do supremo, além das licitações do estado de Santa Catarina. É a freqüência de presenças, projetos, gastos, doações recebidas e feitas. E é bem-atualizado, encontramos informações recentes, notícias de jornais sobre a atuação do parlamentares e ministros do supremo, além de artigos e publicações.

A navegação é simples. A partir do nome de cada deputado ou ministro do supremo e também de gráficos bem construídos e sistemas de filtragem bem definidos como a assembléia legislativa a que pertence ou partido podemos encontrar um vereador do Acre ou senador do Rio Grande do Sul sem dificuldades. O Transparência Brasil é uma ferramenta valiosa para que as pessoas possam visualizar e fiscalizar a atuação dos políticos em que votaram ou não.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O U2, a sociedade do espetáculo e a convergência de mídias


(por *Glaucir Borges)

As colegas Susan e Ariela citaram o show do U2 transmitido ao vivo pelo youtube no ano passado. Mas a relação dos quatro rapazes de Dublin com a ode e crítica a pós-modernidade, as novas mídias e a sociedade do espetáculo, remonta ao inicio dos anos 90 com a ZOO TV tour. Uma das mais originais turnês de uma banda de rock de todos os tempos, a ZOO TV foi a turnê dos discos Achtung Baby, do mega clássico One, e Zooropa.

O U2 começou os anos 90 querendo se renovar. Era uma época conturbada, o mundo vivia sob o holofote da primeira guerra do golfo. No momento do inicio do show, quando as luzes se apagam, os 36 televisores espalhados pelo palco mostram sinal de estática e uma grande trombeta toca em um dos telões. Em seguida aparecem de maneira frenética, imagens de esporte, política, saúde, ciência e moda.

Enfim, quando começam os primeiros acordes de ZOO Station, a primeira música, Bono surge em uma plataforma com a imagem da bandeira da União Européia ao fundo. Vestido todo de couro reluzente, óculos escuros, gel no cabelo e fumando, o vocalista não parece o mesmo bom moço da década anterior. Era o figurino de The Fly, o astro do rock arrogante, um dos personagens que Bono havia criado para aquela turnê.

Na segunda música, The Fly, sob o poderoso riff de guitarra de The Edge, projetavam-se mensagens subliminares que quase não se podia definir. Frases cínicas e de inspiração. Um bombardeio dos sentidos:

TUDO O QUE VOCÊ SABE ESTÁ ERRADO
DESFRUTE DA SUPERFÍCIE
A AMBIÇÃO RÓI AS UNHAS DO SUCESSO
ACREDITE EM TUDO
O GOSTO É INIMIGO DA ARTE
CREIA
ASSISTA MAIS TELEVISÃO
CELEBRIDADE É ALEGRIA
ZOMBE DO DIABO
A CULPA NÃO É DE DEUS
A EVOLUÇÃO ACABOU
ROCK É ENTRETENIMENTO
O SERVIÇO NÃO ESTÁ INCLUÍDO
É O SEU MUNDO – VOCÊ PODE MUDÁ-LO

Steve Stockman, no livro Walk On, A jornada espiritual do U2 fala deste momento: "Foi uma sobrecarga de mensagens subliminares pós-modernas, que contradiziam umas às outra e deixaram a platéia chocada e confundida pela tela. Ao mesmo tempo, ela quase celebrou e denegriu o mundo pós-moderno", definiu o autor.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Redações Integradas

(por *Daiana Lenz)

No livro Resistências de La Integración, uma análise contempla diversos cases de veículos de comunicação que tiveram dificuldades ao implantarem mudanças em suas redações, além disso, o autor faz uma análise dos problemas enfrentados pelos veículos neste período de transição.

Os periódicos estão mudando sua forma, são novos rumos para o futuro dos jornais, pois a s tecnologias estão mudando as formas de fazer o impresso.

Os periódicos apresentam certa resistência à integração das redações, mas ao mesmo tempo, sabem que será preciso mudar a forma e buscar novas soluções e uma revolução do conteúdo. Estão em busca de reforço a credibilidade do digital, estimulando a criação de conteúdos multimídia. As vantagens de redações integradas são muitas, entre elas, um custo menor que as independentes.

A tecnologia tomou conta do público que consome as informações, hoje é difícil construir um projeto sem mudar a cultura profissional daqueles que fazem o jornalismo diário, a empresa precisa escutar os seus colaboradores. Porém algumas medidas tomadas muitas vezes por gestores podem ser prejudiciais à qualidade das informações dos veículos, como a troca de profissionais experientes por novos e redução de salários visando à ampliação de lucros. Estes fatores podem resultar em redações cada vez mais enxutas, com mais trabalho e falta de qualidade.

As empresas jornalísticas passam a produzir muito conteúdo com pouco aprofundamento, onde os valores giram em torno de quanto mais conteúdo melhor. Além disso, o número de profissionais é reduzido e as condições de trabalho tornam-se desfavoráveis, onde uma pessoa passa a fazer o trabalho de três.

A idéia de convergência significa muito mais do que uma simples mudança de tecnologias e meios, ele atinge o modo de ofertar informação para quem a recebe, sejam eles jovens, crianças, adultos ou idosos. A qualidade do conteúdo deve ser preservada.

Salaverría: "A regeneração do jornalismo na internet depende da excelência de quem vai exercê-lo."

(por *Susan Liesenberg)

Ramon Salaverría, um dos mais importantes estudiosos de Jornalismo Digital do mundo e diretor do Laboratório de Comunicação Multimídia da Universidade de Navarra, na Espanha, disponibilizou recentemente em seu blog parte de seu mais recente livro, "Ciberperiodismo sin periodistas? Diez ideas para la regeneración de los profesionales de los medios digitales".

Já pelo o que o título sugere, se uma regeneração é sugerida, houve - ou há - uma deterioração em prática. Para ir direto ao principal ponto levantado por Salaverría, o autor coloca sem delongas: "A regeneração profissional do jornalismo na internet depende sobretudo da excelência de quem vai exercê-lo. Por isso, dedicarei uma última proposta não aos meios, mas a quem tem a responsabilidade de formar os jornalistas de amanhã: os professores de jornalismo."

Lúcido, equilibrado e sagaz, características que o fizeram ser reconhecido mundialmente, Salaverría resume, sem precisar mencionar o Brasil, ainda em debate sobre o tema, o verdadeiro cerne da questão sobre a atividade jornalística online, o que não incide sobre o diploma, como é desvirtuada a discussão sobre a formação na área por aqui, mas sim, ressalta a qualidade da qualificação educacional na formação universitária.

Como estamos formando os futuros profissionais de jornalismo, e não quem pode ou não praticar o jornalismo sob o subterfúgio da diplomação empapelada exibida e enquadrada por trás de uma moldura de parede, é o que deve ser discutido. Se em tempos de internet o papel perde sua hegemonia vencida pela tradição secular da celulose, o mesmo, pode-se dizer, tem ocorrido com a queda do diploma: árvores são poupadas e o debate retoma a raiz, que é o fazer, e não o poder.

Não são as máquinas que escravizam


Em O Mundo do Futuro, o colega Glaucir Borges questionava uma evolução tão grande das máquinas - até a existência própria - a ponto de nos escravizar. Dialogando com essa ideia creio que existe sim um processo de evolução, ou (in)volução dependendo da perspectiva, nas nossas relações com as máquinas inclusive no que se refere ao consumo artístico/cultural.

Se o que Glaucir percebe é uma tendência do espectador à assistir algo pela tela e depois, mesmo que esteja territorialmente no local onde o espetáculo ocorre; de outro lado temos uma demanda para que outras possibilidades desse consumo se efetivem. A exemplo disso temos a série Unstaged que o YouTube transmitirá. São cinco shows transmitidos pela plataforma VEVO que poderão ser vistos "ao vivo" por pessoas de qualquer parte do mundo - essa não é a primeira vez que o YouTube transmite um show nesses moldes, mas trata-se do primeiro produto produzido exclusivamente com esse fim . A evolução desse tipo de plataforma ainda permite um grau de interatividade que simula a participação e a interferência "real" do espectador virtual caso ele estivesse fisicamente no local uma vez que além de assistir, esse público poderá selecionar ângulos de câmera e votar em qual música deve ser tocada no bis. Ok, não é mais o grito fervoroso do fã na plateia... mas é mais uma possibilidade de interagir, de ampliar o público espectador e de atender uma demanda - comodista ou não - desse tipo de acesso e conforto.

Em tempo. Posto que muito do que vem sendo desenvolvido na área tecnológica é uma demanda dos indivíduos e da sociedade, parece que não são as máquinas que nos escravizam ou escravizarão por vontade própria. Nós somos aqueles que concedem à elas esse direito de escravizar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O mundo do futuro

(por *Glaucir Borges)

Na última sexta, dia 16, eu fui ao show do Capital Inicial, no Pepsi On Stage, em Porto Alegre. Lá eu me deparei com algo curioso e sintomático destes nossos tempos de hiperconexão. Logo depois de começar o show, a banda mal tinha aparecido para a primeira música, boa parte da platéia imediatamente sacou o seu celular e começou a gravar. Foi uma imagem impressionante, centenas de pessoas estáticas, assistindo ao show através de uma pequena tela, ao invés de pular e aproveitar os acordes do bom e velho rock and roll. Elas pareciam querer gravar o show para assistir em casa.

Na sociedade hiperconectada, muitos daqueles vídeos do show inevitavelmente foram parar no youtube. Primeiros erros em Porto Alegre, 16/07, postado por fulaninhadetal. Isso é o que Paula Sibilia chama de O show do eu. Todos querendo uma migalha de fama virtual, nem que seja através de Dinho Ouro-Preto e cia. A tecnologia muda cada vez mais a relação das pessoas com as outras pessoas e o mundo ao seu redor. Computadores, celulares, parecem se tornar extensões dos corpos das pessoas. Algo estranho para alguém como eu, que acessou a Internet pela primeira vez aos 16 anos e ainda compra CDs e livros de papel. Fico pensando se um dia, como no filme O Exterminador do Futuro, as máquinas ganharão existência própria e escravizarão a humanidade.

Gonzo Jornalismo?



(por *Ariela Dedigo)

Durante as enchentes no Rio de Janeiro em abril deste ano o grupo Rizoma realizou um vídeo no qual faziam uma travessia de bote nas imediações da Praça da Bandeira. Observa-se uma aproximação desse tipo de produção com o chamado Gonzo Jornalismo, uma narrativa na qual o jornalista, neste caso, o produtor de conteúdo já que não nos referimos necessariamente ao jornalismo, abandona qualquer pretensão de objetividade e se mistura com a ação que reporta.

No vídeo Enchente de Verdade, realizao pelo grupo, um dos integrantes entrevista pessoas paradas no trânsito em áreas alagadas e faz tomadas em locais nos quais, com equipamentos maiores e mais profissionais – se é que ainda é possível fazer essa distinção, seriam impossíveis ou no mínimo muito mais complicados de realizar.

Interessante também perceber que além de ser, por si só, um produto informativo – que foi disponibilizado na rede via youtube e vimeo, o vídeo desencadeou matérias sobre sua realização. Mas uma vez constatamos a apropriação de conteúdos da internet nos chamados “meios tradicionais”. Além disso, observa-se neste caso que a imagem – o vídeo – não é tratada somente como complementar à informação. Afinal, é ela quem deflagra o fato noticioso.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vertov e os vídeos de colaboradores


(por *Ariela Dedigo)

Na cobertura das enchentes do Rio de Janeiro – já citadas no post anterior – outro aspecto chama a atenção. Os vídeos enviados por colaboradores que reunidos davam um panorama dos estragos causados pelas chuvas.

Vamos aqui nos apropriar das ideias de Jair Giacomini, no texto O Olhar de Vertov para ver hoje, com o objetivo de fazer algumas considerações. O autor recupera o pensamento de Roland Barthes para quem o “Isto foi” da fotografia é substituído pelo “sendo”, o mundo real de novo, aqui e agora na tela. Não parece leviandade dizer que esse olhar disseminado, por diferentes pontos do Rio de Janeiro, nos proporcione essa sensação do real. Todos esses vídeos juntos formam um mosaico das conseqüências da tragédia e do que está sendo e/ou foi vivenciado pela população.

Quando Vertov fala do cine-olho, a não existência de um roteiro e sim de um plano de filmagem e que o homem não está com a câmera, ele é a câmera; parece ser possível aproximar essas teses do que está sendo apresentado e permitido pela emergência dos chamados produsers (produtores/usuários). Ele transforma seu olhar em conteúdo e o compartilha. Nem sempre esse conteúdo tem roteiro e montagem muito elaborados. Mas, como nesse caso do G1, diversas vezes de presta a uma captação da realidade, para recriá-la diante dos olhos do espectador, lhes causar sensações e, em algumas vezes de acordo com a proposta e finalidade, também informá-lo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Copa da Imagem


(por *Glaucir Borges) Pegando o gancho da Patrícia vou falar de Copa do Mundo. O evento mobiliza a atenção da mídia em todas as partes do planeta e sobretudo no Brasil. A Copa está na televisão, rádio, jornais, internet e em outras mídias como as vitrines de lojas e os outdoors. A cada quatro anos, tudo vira Copa no Brasil. Jornais de emissoras como Globo, Record, Bandeirante, SBT dedicam a maior parte de seu noticiário ao evento e muitas vezes até mandam os seus apresentadores para o país sede. Os canais esportivos falam de Copa às 24 horas de sua programação.

Vivemos a era da tecnologia e da imagem. Tudo é imagem. A Copa da África do Sul é a Copa da Imagem. São 32 câmeras nos estádios que mostram todos os detalhes. E a grande sensação é o super slow. Vemos do suor dos jogadores até os gomos da Jabulani em alta definição. Presenciamos as expressões de alegria e sofrimento de atletas, técnicos e torcedores, como se eles estivessem no quintal de nossas casas. A imagem prevalece até mesmo na cobertura da Internet.

Na cobertura do canal Sportv, existe a crônica das partidas, que é texto e imagem. Uma voz, conta a partir de um texto escrito de maneira poética como foi o jogo, sempre permeado pelas imagens da partida, a maioria em super slow.

Na cobertura on-line as imagens parecem também prevalecer. Sites como globo esporte.com, lance.net, Clic esportes priorizam a imagem. O texto parece ficar em segundo plano. Também são usadas muitas fotos de agências como Reuters. Muitas vezes percorrendo os diversos veículos on-line vamos ver exatamente as mesmas fotos sendo usadas.

O tipo de cobertura parece ser a mesma. A possibilidade da interação do espectador aumentou, mas acho acho que falta criatividade. No pouco e modesto texto que encontramos na net, vemos o mesmo tipo de abordagem. São poucas que oferecem algum tipo de novidade, que tentam dar outro tom as suas coberturas. Um dos raros exemplos é o pequeno blog Anel Superior que tenta explorar os lados pouco usuais das coberturas, com textos com mais humor, irônicos.

A Internet abre novas possibilidades de difusão de informação. Abre a possibilidade de abordagem de temas variados, abre a possibilidade da criação de novos atores na produção de conteúdo. Mas como já falado, os veículos on-line parecem repetir o que é feito pela televisão. Talvez pelo fato de a Internet ainda não ter definido qual é a sua linguagem. Penso que a grande revolução a ser feita na linguagem da web é a dos pequenos blogs. A originalidade deve partir deles. Quanto as imagens elas são inevitáveis e devem ser bem usadas.

Novas tecnologias e a cobertura da Copa do Mundo FIFA – 2010

(por *Patrícia Pinto Lemos)

Diferente de edições anteriores, a transmissão da Copa do Mundo 2010 teve a presença maciça das tecnologias digitais, assim como das mídias sociais, modificando a forma de transmissão e interação com o campeonato. Além disso, pela primeira vez as partidas do torneio foram transmitidas por meio de tecnologia 3D. A FIFA assinou um contrato de direitos de mídia com a Sony para transmitir imagens em 3D de até 25 partidas da Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010. Outra questão foi o posicionamento de câmeras em novos ângulos, mostrando alta definição de imagem, além da transmissão com replay em telões dos estádios, fato que mudou durante o campeonato. A FIFA pediu para que lances polêmicos não fossem reprisados aos torcedores, afim de evitar conflitos nos estádios.

Outra polêmica do campeonato em 2010 foi quando a International Football Association Board (IFAB), responsável por fazer mudanças nas regras do futebol, vetou a realização de experimentos tecnológicos que poderiam ajudar os árbitros em lances polêmicos durante as partidas. A decisão de barrar os instrumentos tecnológicos foi tomada depois que especialistas fizeram apresentações com novas tecnologias para auxiliar os juízes através de imagens de vídeo. Essas alternativas já vinham sendo testadas em alguns jogos, principalmente nos casos em que havia dúvida sobre a entrada da bola no gol. Contudo, a IFAB resolveu encerrar essas pesquisas, que previam o uso de “bolas inteligentes”, providas de microchips e de potentes câmeras para registrar as jogadas (chamado de Olho de Águia). A entidade alegou que se deve confiar e manter o futebol como um jogo em que prevalece o lado humano.

A quantidade de dados trafegados no período da Copa foi muito maior do que em qualquer outra época. Nesta Copa tem de se considerar o número de pessoas nos estádios com celulares gravando jogadas e fazendo upload para o YouTube ao mesmo tempo. Pessoas twittando de todas as partes do mundo e posts no Facebook, que atingiram um número sem precedentes, estrangulando as redes em determinados momentos. Além desse lado técnico, houve o lado do confronto virtual entre torcidas do mundo inteiro. Na Europa houve movimentos de quem postou mais no Twitter durante os jogos, o melhor vídeo feito de dentro do estádio, etc. gerando um número de imagens interessantes, saindo das tradicionais coberturas televisivas.

Sem dúvida esta foi a Copa das mídias sociais, das imagens e da participação da torcida. Se antes, o máximo que o público podia fazer era dar seus palpites em meio à rodas de conversa ou então entoar gritos uníssonos nos estádios, a opinião se alastrou pela web de maneira incontrolável. Durante o campeonato os trending topics mundiais (assuntos mais comentados no Twitter) eram nomes de jogadores ou os times em campo.

A tecnologia também tirou o torcedor da condição de espectador o reposicionou como integrante do espetáculo por meio de câmeras amadoras, fugindo ao senso comum das tradicionais coberturas. Imagens de partidas ou bastidores exclusivas foram postadas na web, modificando a forma de transmissão do evento.


Ferramentas digitais X pensamento analógico

(por *Patrícia Pinto Lemos)

A convergência das mídias vem ocorrendo em ritmo acelerado, porém, a forma de pensar este contexto não acompanha tamanha rapidez. As ferramentas proporcionam tal convergência, ao passo que os recursos ainda não são explorados de forma efetiva. Há ferramentas digitais, porém o pensamento é analógico, tendo em vista a dificuldade em ter uma ampla visão da melhor forma de utilizar as plataformas como forma de prestação de serviço.

Enquanto a tecnologia se aprimora, muitas vezes perde-se tempo na tentativa de categorizar as novas mídias com discussões do tipo: blog é jornalismo? Twitter é fonte? Isso são fortes vestígio da forma analógica de ver o mundo e ter de rotular as ferramentas ao invés de discutir: qual a melhor forma de explorar isso para que seja útil?

Prova da ineficácia da convergência pode ser dada no próprio jornalismo. Sites muitas vezes dão a notícia em forma de texto e vídeo, sendo que o off das imagens nada acrescenta do que foi dito no texto. A tal interatividade proposta pelos de comentários é barrada por moderadores, o que faz com que muitas opiniões, talvez relevantes, mas que por motivos políticos por exemplo, sejam vetadas. Enfim, temos as ferramentas, mas para utilizá-las da melhor forma explorando a convergência, ainda há um longo caminho.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tecnologia Aplicada na cobertura das eleições

(por *Luiz Otávio Soares)

Tecnologia aplicada na cobertura das eleições - CASO do uso de duas plataformas na entrevista com a candidata à Presidência da República Marina Silva (PV) - no Porta r7 e na Revista Isto É.

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, abriu nesta quinta-feira (15) a série de sabatinas promovidas pelo R7 com os candidatos de 2010 (http://www.r7.com/). Ela respondeu às perguntas dos jornalistas Christina Lemos, da TV Record, Eduardo Ribeiro, da Record News, Gisele Silva, editora de Brasil do R7, e de um blogueiro convidado do portal, espaço ocupado neste primeiro por Marco Antônio Araújo, do blog O Provocador.

No mês passado a edição nº 2117 da Revista Isto É deu a capa à candidata. Os jornalistas Octávio Costa e Sérgio Pardellas elaboram a matéria e a candidata respondeu a perguntas de diversos jornalistas da Isto É, inclusive diretores (chamado de encontro com editores 2010).

Neste trabalho faço uma comparação de como foi à exposição de Marina Silva nas duas mídias, os pontos em comum, os divergentes e as formas de apresentação do conteúdo nas duas plataformas.

Pontos em Comum entre a revista e o site:
* Apresentação da candidata, trajetória política (a passagem pelo PT e a militância pelo meio ambiente), e história de vida, como ter sido alfabetizada aos com 16 anos e ter feito supletivo para entrar na Universidade Federal, no curso de história;
* A revista também postou um vídeo da entrevista em http://www.istoe.com.br/
* Imagens de Marina feitas durante a entrevista;
* Espaço (mural) para o internauta expor o que achou das respostas;
* Fórum com opiniões dos leitores

Aspectos distintos:
* Poucos recursos no site, plataforma não foi bem explorada;
* Apresentação e forma atrativa dentro da revista, com, fotos da candidata, do vice Guilherme Leal e da mesa com todos os entrevistadores;
* Enquanto havia a entrevista em tempo “real”, paralelamente estavam havendo discussões num chat do r7;
* Como o r7 é do Grupo Record, o canal Record News transmitiu a entrevista em outro horário, dentro da grade de programação da emissora;
* Na revista Marina foi colocada frente a diversos profissionais da comunicação, já no site foi questionada com perguntas da platéia, emails e dos três comunicadores;
* Blog das eleições 2010 com link no r7

Perguntas do site (jornalistas, internautas e platéia).

- Pesquisas de boca a boca que dizem “não votem nela, apesar de boa não tem como ela ganhar”, o que pensa disto;
- O blogueiro questiona o pouco patrimônio de Marina e se ela é boa em economia;
- O que pensa da taxação das grandes fortunas;
- Como vê a questão do novo código florestal/ ambiental;
- Como espera ser recebida por uma bancada ruralista dentro do governo;
- Manutenção do bolsa família;
- O que fará para melhorar a educação e como;
- Inclusão digita será feita de que formal;
- Como irá se organizar o governo de Marina e com quem irá governar;
- Se a candidata quer PT e PSDB em seu governo
- Religião - Casamento gay;
- Uso da maconha, álcool e daime. Se já usou e o que diz sobre a questão;
- Diferenças entre ela e Dilma;
- Legalização do aborto;


Perguntas da revista Isto É (neste caso Guilherme Leal participou dando algumas respostas)

- Como a candidata se define, já que Dilma é extensão do governo Lula e Serra um pós-Lula;
- Se ela se considera a candidata ideal para implementar tantas mudanças no futuro do Brasil;
- Caso vence, ao final dos quatro anos de mandato de que irá se orgulhar de ter feito;
- O que teve de enfrentar no governo a deixou chocada;
- Se guarda mágoa do presidente Lula;
- O que acha sobre ter de abrir mão de investimentos como Belo Monte;
- Existe alguma hidrelétrica modelo;
- Se a candidata quer PT e PSDB em seu governo;
- Como está de saúde, pois teve três hepatites e malária;
- Como ela vê a questão de ter estudado, mesmo sendo de origem pobre, e mesmo não ter acontecido com Lula;
- Como está atuando o vice na campanha, se ajuda à alinhavar apoio;
- Quanto Guilherme Leal vai dar para a campanha;
- Se aceitarão doação de bancos para a campanha;
- De quem não aceitaria doação;
- Qual o plano para educação;
- Métodos que usaria para acabar com a corrupção;
- Como vê a política pública de combate às drogas;
- Legalização da maconha e união de pessoas do mesmo sexo;
- Mesmo não estando bem, acredita em uma virada;

Percebi que as perguntas feitas pelo r7 sempre tinham um fundo mais provocativo e por vezes debochado, puxando para as questões mais polêmicas e delicadas, até mesmo por muitas das perguntas vinham de internautas pré-inscritos para participar da Sabatina. Já as perguntas dos jornalistas e editores de Isto É, foram mais voltadas para as propostas políticas de Marina e sobre a visão que ela tem do governo Lula e do futuro do meio ambiente.

Links: Disponível em:
- http://noticias.r7.com/brasil/noticias/assista-a-sabatina-de-marina-silva-no-r7-20100715.html;
- www.istoe.com.br/reportagens/77849_PODEMOS+ANTECIPAR+O+FUTURO+PARTE+1?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Olhares sobre a Convergência de Mídias - Casttels e Jenkins

(por *Luiz Otávio Soares)

Olhares sobre a convergência de mídias - Casttels e Jenkins

Castells - acredita na transformação da sociedade por meio da economia e da informação, graças às inovações tecnológicas no campo da Comunicação, pois a revolução da tecnologia da informação caminha em ritmo acelerado, interligando diversas esferas sociais e econômicas.

Revolução - grande aumento de aplicações tecnológicas - o processo atual de transformação tecnológica mediante a uma linguagem digital comum, onde a informação é gerada, armazenada, recuperada e transmitida. O autor chama de informacional, global e em rede a economia dos últimos 25 anos.

A Nova economia –
É informacional, porque aplica de forma eficiente a informação;
É Global, pois as atividades produtivas e de consumo estão organizadas em escala GLOBAL, diretamente ou mediante uma rede de conexões entre agentes econômicos;
É em Rede, já que a produtividade nas condições históricas é feita em uma rede Global.

Castells compara a interação e as transformações tecnológicas à criação do alfabeto, já que uma nova linguagem está aí: o hipertexto e uma metalinguagem interligando o mesmo sistema de modalidades escrita, oral e audiovisual da comunicação humana.

Enquanto a mídia é um sistema de comunicação de mão única, o Processo Real de Comunicação não o é. Ele depende da interação entre emissor e receptor, na interação da mensagem.

RECEPTOR + EMISSOR = PROCESSO DE INTERAÇÃO

O autor classifica a Internet como o maior índice de penetração do qualquer outro meio de Comunicação da história.

Processos dominantes estão cada vez mais organizados em redes – toda a estrutura social vem se adaptando à rede – por isso ouvimos muito o termo “Sociedade em Rede”, pois as relações sociais são mediadas e interligadas através das redes.

Jenkins – sobre a cultura da participação vê a convergência como processo/ fenômeno social e cultural, e não apenas tecnológico movido pela mudança de plataforma. O autor defende que há convergência quando ocorrem alterações entre os consumidores, através dos fluxos midiáticos que estão expostos dentro do seu próprio cotidiano.

As múltiplas plataformas permitem inúmeros pontos de contato, alterando a forma com que as pessoas se relacionam com seus conteúdos favoritos.

Para Jenkins, no conceito de Economia Afetiva, a convergência ocorre quando as pessoas estão com a mídia em suas próprias mãos. Isso porque as nossas histórias de vida, relacionamentos e memórias também fluem através dos canais de mídia. Podendo considerar este conceito como nova configuração da categoria de Marketing, que soma valores emocionais nas decisões de compra. “A convergência não ocorre apenas quando envolve produtos e serviços que trafegam em circuitos regulados. Não envolve apenas companhias de telefonia celular que se unem a companhias de cinema para decidir quando e onde nós assistiremos um novo lançamento cinematográfico.”, ela está em nossas mãos.

Já o conceito de Transmedia Storytelling apresentando por Jenkins tem como exemplo a “trilogia para o cinema The Matrix e seus inúmeros desdobramentos na internet e em produções paralelas, como Animatrix. Matrix é entretenimento para a era da convergência, integrando múltiplos textos para criar uma narrative tão ampla que não pode ser contida em uma única mídia”.

Os textos sobre sociologia e a convergência midiática e sociologia da comunicação, nos fazem refletir sobre todas as mudanças que vem ocorrendo, já há alguns anos, e que se afirmam cada vez mais dentro da comunicação, tratando da convergência de mídias mais do que simplesmente como uma mudança tecnológica. Deste modo, temos de considerar que a convergência abrange um campo muito amplo na sociedade.

Conforme a tecnologia avança, a mídia e o papel que ela tem também sofrem alterações. Os textos dão conta de que a tecnologia ligada à produção simbólica, da prensa manual, inventada por Gutenberg no século XVI; à fotografia, desenvolvida no século XIX; o telefone celular e a Internet do século XX, veio também modificar a forma como conhecimento passou a ser produzido, registrado, reproduzido e disseminado. Do início dos processos comunicacionais até hoje, a comunicação está sempre em constante mudança. Hoje a Internet é vista como marco histórico, mas segundo a história da mídia, a interatividade tão evidente na internet, já se fazia presente em outras formas de comunicar.

domingo, 18 de julho de 2010

O Portal Terra ameaçado por “forças ocultas”


(por *Pedro Marques com Folha de SP) A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) ingressaram com uma representação contra as empresas proprietárias do portal Terra e do jornal Brasil Econômico. As entidades pedem que o Ministério Público investigue e fiscalize o cumprimento do limite de 30% de capital estrangeiro nos veículos brasileiros.

Na representação, as entidades pedem que o Ministério Público defina qual órgão deve fiscalizar a interferência de capital estrangeiro em empresas jornalísticas na web. Segundo as associações, o controle administrativo e editorial tem sido compartilhado com empresas internacionais, o que fere a constituição, já que apenas brasileiros ou naturalizados há mais de dez anos podem atuar nessas áreas, em veículos nacionais.

Após ter entrado com a representação, a Abert poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação de direta de inconstitucionalidade, com o objetivo de impedir o crescimento de portais jornalísticos na web que sejam controlados por empresas estrangeiras.

Em uma entrevista, o diretor-geral do Terra Brasil, Paulo Castro, não vê ilegalidade nas atividades da empresa no País, como afirmam a Abert e a ANJ. “Não há ilegalidade. Essa restrição de capital se limita a empresas de radiodifusão e impresso. Estamos de acordo com a Constituição”, defendeu, acrescentando que cabe ao Congresso ampliar o conceito do artigo 222 da Carta para que os portais jornalísticos também sejam afetados pela regra.

A grande dúvida ao é se o artigo fala em Comunicação, num sentido amplo e se fosse aplicado a qualquer mídia. Muita água vai rolar até um veredicto definitivo. Isso me lembra a questão de acessos. Todos sabemos a importância que o Portal Terra tem no meio jornalístico na internet e a concorrência que enfrenta por sites que possuem grande redes por trás. Veremos, veremos.

sábado, 17 de julho de 2010

Interação


(Por * Pedro Marques) A democratização da informação possibilita que receptor/leitor seja um agente produtor de conteúdo, ou seja, o receptor torna-se também emissor num processo de interação. Assim, ele deixa claro que o processamento das informações vai muito além da comunicação de mão-única. Com a atenção voltada aos meios de comunicação mais interativos, o autor ressalta que a Internet tem tido um índice de penetração mais veloz do que qualquer outro meio de comunicação na história. Por exemplo, o uso de blogs como ferramentas noticiosas, os war blogs desempenham muito bem esse papel.

Porém, a convergência não é apenas um fenômeno tecnológico, uma mudança estrutural entre plataformas, computadores e dispositivos móveis, mas sim um fenômeno social e cultural. A convergência ocorre quando as interações entre consumidores constroem suas próprias histórias por meio dos fragmentos de informação oriundos dos fluxos midiáticos que estão expostos, dentro do seu próprio cotidiano.

A Sociedade sempre esteve dividida em grupos díspares formados por pessoas que compartilham as mesmas formas de comportamento, pensamentos e atitudes que passam de geração a geração. Isso permitiu a formação da identidade e alteridade, o reconhecimento do “eu” e do “outro”.

O software livre, o Youtube,o Slashdot, o Digg, o Creative Commons, as comunidades open source e a Wikipedia, cujo slogan é “a enciclopédia livre”, são exemplos de peer production. Neles, qualquer um pode contribuir e um sistema de controle distribuído entre os próprios pares modera a relevância e a qualidade do conteúdo. No caso do software livre, “todos podem ter acesso à estrutura interna dos programas e modificá-los como bem entenderem, desde que sejam respeitadas as condições do contrato social da respectiva comunidade”.

No entanto, a ideia de que a Internet é democrática não é nova. A primeira geração de críticas ao efeito democratizante da Internet era baseada em várias conseqüências do problema de excesso de informação. A convergência não é apenas um fenômeno tecnológico, uma mudança estrutural entre plataformas, computadores e dispositivos móveis, mas sim um fenômeno social e cultural. As interações entre consumidores constroem suas próprias histórias por meio dos fragmentos de informação oriundos dos fluxos midiáticos que estão expostos, dentro do seu próprio cotidiano. Os volumes de informações relacionadas à marca que chegam produzidas por meio de ações que a associam ao entretenimento alteraram a forma como as pessoas se relacionam como seu conteúdo favorito, já que as múltiplas plataformas permitem inúmeros pontos de contato, onde o consumidor estiver.

São construídas novas referências de valor pelas pessoas e nas relações entre elas. A possibilidade de uma interação em tempo real via uma web-cam permite que essa nova geração Y, se relacione com amigos ou pessoas de sexo oposto, permitindo as pessoas se comunicarem de maneira muito menos introvertida do que na comunicação face-a-face. Pode-se questionar se esse tipo de interação entre essa geração é mais nociva, se ele eliminaria a interação face-a-face, o contato humano. Na verdade, não passa de uma nova maneira de interagir e de se comunicar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tecnologia e jornalismo em tempos de convergência

(por *Luiz Otávio Soares)

Quando se trata de implantar um processo de convergência entre distintos meios, não basta resolver os fatores econômicos. Logísticos e tecnológicos; um desafio prévio a esses aspectos é o de implantar uma nova cultura profissional de muita confiança e disponibilidade de colaboração.

Se deseja que os meios colaborem entre si, é imprescindível que alguém os coordene e que se cumpram as regras de funcionamento. Essa pessoa deverá ser responsável em instaurar certas “leis federais” que todos os meios e seus repórteres estarão obrigados a respeitar e que permitam uma colaboração entre eles.

Está claro que qualquer empresa jornalística prefere que seus meios sejam complementares entre si, no lugar de reduntantes. Hoje em dia, no entanto, assistimos a uma situação, até certo ponto cômica, em que todos os meios de um grupo se esforçam para publicar tudo. Como resultado dessa falta de estrategia editorial, o público termina recebendo os mesmos conteúdos várias vezes em plataformas diferentes.

Todo jornalista sabe que, salvo que se trate de exclusivas, não tem sentido que os jornais impressos reservarem informações para o dia seguinte, pois o público terá acesso a elas com toda a segurança através de múltiplos meios digitais e audiovisuais minutos depois de saber do ocorrido.

Hoje, no entanto, grande parte dos sistemas de edição seguem sendo estritamente monomedia. Permitem realizar trabalhos de produção, gestão e publicação de conteúdos para um único suporte. O jornal, a rádio, a televisão e internet contam com seus próprios sistemas independentes.

Comparações entre The guardian e Estado de São Paulo:

THE GUARDIAN
• As mudanças permitiram, por exemplo, que as reportagens do the observer tenham um suporte multimidia adequado.

• Usuários podem publicar conteúdos diretamente. O jornalista filtra a informação (editor de conteúdo) - Web 2.0 - (gatekeeper)

• The guardian.co.uk produz suas própria reportagens.

ESTADO DE SÃO PAULO
• As redações trabalham no mesmo espaço físico. O plano é que trabalhassem conjuntamente. Integrá-las. Apenas uma REDAÇÃO para todos os veículos do grupo.

• Uma única redação de repórteres ofereceria conteúdos a equipes de editores específicos para cada um dos meios.

• Mas a proposta mais importante não veio com a reforma gráfica e nem com a ordem das seções. A proposta principal foi instalar em cada meio – esta vez jornal e página da web- uma mesa de edição central.

• Na segunda fase das modificações, essas mesas se integrariam por um simples procedimento de juntar-las uma ao lado da outra no centro da redação.

• Essas mesas são cruciais. Os chefes dos distintos meios falam entre si, os repórteres também.

• Na Mesa Central os editores/jornalistas trocam informações e negociam decisões.

“Web 3.0”, também conhecida como “Web Semântica”, que será uma internet “mais inteligente” do que a internet que vimos nascer. Há hoje uma enorme quantidade de informação nas redes, e as questões fundamentais têm sido como organizá-la melhor e como tirar melhor proveito desse enorme banco de dados.

O mais irônico é o fato dessa “internet mais inteligente” depender da intervenção humana para funcionar bem. A informação que trafega pela web não é compreendida pelos computadores. As máquinas não entendem o significado das palavras e é por isso que, muitas vezes, nossas buscas atingem resultados descabidos.

Surgiu a ideia de “ensinar aos computadores” o significado da informação. Esse é o fundamento da web semântica: usar uma linguagem que representa a informação, que dá significado aos seus conteúdos. Computadores não sabem diferenciar entre sujeito, verbo e predicado numa frase.

Para isso foi desenvolvida a linguagem RDF (Resource Description Framework), uma linguagem que “representa a informação”. Por meio dela, cada termo ganha um significado associado, previamente atribuído pelo usuário, que classifica os elementos de um documento conforme sua ontologia.

O uso de RDF ainda é restrito nas empresas jornalísticas. Experiências pioneiras surgiram nas mídias digitais do New York Times e do The Guardian, que já oferecem conteúdos com seu código aberto a desenvolvedores. Assim, esses conteúdos podem ser publicados em numerosos aplicativos desenvolvidos por terceiros, tal como um software de código aberto. Mas esse é apenas um pequeno passo dentre as múltiplas possibilidades que a web semântica oferece.