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sábado, 31 de julho de 2010

Diálogos abertos


(por *Ariela Dedigo)

A capa da Time tem causado alvoroço e discussões. A foto traz Aisha, uma mulher de 18 anos que teve o nariz e as orelhas cortadas por tentar fugir dos sogros e do marido de quem sofria abusos. A matéria, assinada por Aryn Baker, aborda a situação da mulher e o medo do ressurgimento do regime Talibã. Não trataremos aqui a reportagem em si, mas o quanto essa imagem e uma apresentação da matéria feita no site da revista e assinada pelo editor Richard Stengel impactaram as pessoas diante da situação das mulheres afegãs.

Primeiro, louva-se a preocupação dos profissionais na escolha da fotografia. Se de um lado a intenção da própria Aisha era permitir que o mundo visse o efeito que o ressurgimento do regime Talibã teria sobre as mulheres do Afeganistão, de outro, o editor se preocupava com quem iria ver essa imagem. Tanto que conhecedor do impacto dessa fotografia e da certeza de quem crianças iriam ter acesso á ela consultou psicólogos especializados em tratamentos na infância que aprovaram o uso da foto de Aisha mutilada para que as crianças tomassem aquilo como um símbolo de que "coisas ruins que podem acontecer com as pessoas".

Outros dois fatores merecem atenção na leitura da matéria, do seu processo de construção e do diálogo ocorrido no texto de Stengel. Já falamos aqui sobre manipulação de imagem. Ora, é notável que a fotografia de Jodi Bieber passou por um tratamento - aquela que tira manchas, melhora iluminação etc - mas nem por isso perdeu essência e informação. Depois percebemos que os comentários realizados e publicados no site mostram que a internet, nesse caso, foi sim um espaço de diálogo, de troca de informações (compartilhamento de links relacionados), um apanhado de visões diferentes (contra ou a favor do uso da imagem e inclusive contra os Estados Unidos). Considerando o que foi colocado até o momento não parece equivocado dizer que esses comentários, que às 10h da manhã de sexta-feira (30) - um dia após a publicação do texto - ultrapassavam a marca dos 100, mostram que às vezes é preciso impactar de forma dura e, infelizmente, algumas vezes até cruel, para tirar as pessoas da inércia e da indiferença diante de questões que assolam o mundo em que vivemos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ciberjornalismo e as redes sociais


(por *Susan Liesenberg)

Orkut, Facebook, Twitter... e "acesso bloqueado". Nos últimos anos, quando as redes sociais e os sites de redes sociais - sim, são coisas diferentes - viraram moda, muitas empresas jornalísticas impediam que se fizesse login para elas. Os argumentos iam de "se tratar de acessos de interesse pessoal e sem necessidade para a corporação" até uma distração que "comprometia o trabalho na redação." Quem esteve dentro das redações jornalísticas até este ano sabe bem disso, o que era uma pena.

Repórteres tinham ali um recurso riquíssimo de informações, fontes, fotos e cases. Matéria sobre pressão alta? Procure no Orkut alguma comunidade relacionada a isso, entre em contato com alguém da lista e faça uma entrevista para ilustrar a matéria, por exemplo. Simples e rápido, se não fosse o bloqueio da TI para acessá-los, a pedido da direção.

No entanto, viu-se que tal proibição era a contra-mão de um processo importante para o fazer jornalístico, cada vez mais integrado ao leitor, colaborativo e dialógico entre leitores e jornalistas. Post recente da colega Ariela Dedigo relatou sobre o jornal espanhol El País, que criou uma rede social para justamente colocar seus jornalistas em contato direto com o público.

Este mês, o colega Gerson Martins justamente comentou da importância desse contato, tanto pelo relacionamento imprescindível no jornalismo participativo como para justamente aquilo que relatei acima: um caminho para encontrar informações e cases interessantes. Recomendo a leitura, bem interessante.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Meio Ambiente: A diferença do que se mostra nos EUA e no Brasil

(por *Daiana Lenz)

Esta análise foi realizada com base na reportagem realizada por uma agência americana que verificou o nível de poluição em diversas escolas, Toxic Air and America’s Schools. Com base nisto faremos um comparativo com os recursos disponíveis no Brasil para que se possa realizar um trabalho jornalístico semelhante.

Os repórteres Blake Morrison e Brad Heath usaram técnicas das ciências sociais e físicas para examinar os níveis de poluição do ar em escolas do país inteiro. Eles reuniram dezenas de milhões de registros sobre qualidade do ar e poluição industrial de quase 128 mil escolas, e então usaram o próprio modelo de poluição da Agência de Proteção Ambiental (EPA) para identificar milhares de escolas onde o ar era muito mais tóxico do que em bairros próximos. A equipe do USA Today também passou semanas coletando amostras de ar em 95 escolas de 30 estados, provando haver níveis altos de poluição em dois terços delas. As reportagens provocaram ação imediata da EPA, incluindo a criação de um programa de US$ 2,5 milhões para monitorar a qualidade do ar nas escolas.

A EPA é uma agência federal do governo dos Estados Unidos da América, encarregada de proteger a saúde humana e o meio ambiente: ar, água e terra. A EPA começou a funcionar em 2 de dezembro de 1970, quando foi instituída pelo presidente Richard Nixon. É chefiada por um administrador, indicado pelo presidente. A EPA não é um ministério de fato, mas o administrador geralmente possui status ministerial. Em 2007, a agência possuía 17 mil funcionários em tempo integral.

No Brasil, o emergente Direito Ambiental estabelece novas diretrizes de conduta, fundamentadas na Política Nacional do Meio Ambiente (lei 6.938, de 31/8/81). Esse código estabelece definições claras para o meio ambiente, qualifica as ações dos agentes modificadores e provê mecanismos para assegurar a proteção ambiental.

A lei 6.938, regulamentada pelo decreto 99.274, de 6 de junho de 1990, institui também o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos municípios e pelas fundações instituídas pelo poder público, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, conforme a seguinte estrutura:

• Órgão superior: conselho de governo
• Órgão consultivo e deliberativo: Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)
• Órgão central: Ministério do Meio Ambientel (MMA)
• Órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)
• Órgãos seccionais: órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental;
• Órgãos locais: órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e pela fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.

A reportagem feita pelos repórteres Blake Morrison e Brad Heath nos Estados Unidos contou com o apoio de órgãos federais. No Brasil não sei se isso seria possível, pois o estudo foi realizado em muitas escolas, teve um alto custo e as conseqüências do resultado, o que foi realmente apontado alto nível de poluição próxima às escolas, provavelmente no Brasil não seria uma informação que as autoridade quisessem tonar pública. As relações políticas e econômicas que estão por trás não permitiriam apoio do Governo.

O Brasil ainda é um país que se preocupa com a preservação do meio ambiente, se busca manter a Amazônia intacta, a fauna ainda existente. Quando se trata em saúde do ser humano e tomar medidas que de alguma forma podem prejudicar a economia do país, as atenções são automaticamente desviadas. O risco de câncer, muitas vezes é ignorado. Um exemplo é a preocupação com o número elevado de veículos que circulam na cidade São Paulo, qual é a maior preocupação: o alto nível de poluição que torna o dia cinza na grande metrópole, ou o congestionamento do trânsito? Lógico que é a segunda opção.

No Brasil não se tem investimentos em tecnologia para diminuir a poluição de veículos, e os grandes lucros com a venda do petróleo? Enriquecimento da Petrobrás como ficam? Por estes e outros motivos acredito ser difícil uma pesquisa como esta realizada nos EUA, ser feita no Brasil. As atenções estão voltadas para outros assuntos, como crescimento da economia por exemplo. Por enquanto nosso país não passa por grandes problemas ambientais como outros países, mas daqui a alguns anos isso vai acontecer, aí quem sabe comunicadores poderão ter apoio para indicar, pesquisar e descobrir quais ações poderão ser feitas para uma melhor qualidade de vida.

Uma saída para se realizar um trabalho como este no Brasil seria o apoio das Universidades. Com verbas, tecnologia e conhecimento, seria possível realizar tal pesquisa detalhada.

Sites de notícias não priorizam a notícia

(por *Daiana Lenz)

Eu analisei duas páginas dos portais do Jornal Zero Hora e Correio do Povo, ambos do dia 29 de julho de 2010. Verifiquei a distribuição de conteúdo noticioso em dois portais de importantes veículos de comunicação do Rio Grande do Sul. O site do Jornal Zero Hora, e o mais recente, que é o portal do Correio do Povo. Ambos são tidos como referência para o acesso a informação e possuem credibilidade para com os leitores. Os dois portais estão bem estruturados, mas alguns detalhes fazem com que um deles se destaque mais em termos de facilitar a vida do leitor. A próxima figura (01) é uma notícia de capa do site:

No site do Jornal Zero falta objetividade, o espaço destinado ao comercial acaba atrapalhando a continuidade de leitura da notícia. No espaço, logo abaixo da notícia onde deveriam estar os links com informações relacionados a determinado assunto, encontram-se espaços publicitários em forma de títulos para serem acessados. Um portal de notícias é um portal de notícias, e como no impresso onde está tudo diagramado e dividido de forma a busca do leitor ficar clara, no on-line não deve ser diferente.

As fotos estão boas chamam a atenção, os títulos também , mas o site peca por não ter a visão de que o leitor de hoje não possui tempo para ficar procurando assuntos relacionados . No exemplo da figura 01 a notícia é de um engavetamento na Freeway. Isto é uma notícia, sim, mas e será que o leitor não teria interesse em saber mais, além do fato, acidentes como este, porque acontecem? Outros tombaram naquele mesmo ponto? Há outras notícias relacionadas a isto... Todas estas questões poderiam contribuir com o objetivo de oferecer mais conteúdo a um fato. A linguagem do meio online hoje exige muito mais, ela deve ser bem mais completa. Estes são os fatores que o diferenciam do impresso, pois o ambiente virtual é muito amplo, dinâmico, e alguns veículos não estão aproveitando esta possibilidade.

Em uma página extraída do site do Jornal Correio do Povo, podemos visualizar um layout mais limpo, fácil de buscar, sem tantos anúncios “piscantes”. Textos e fotos estão bem distribuídos, sendo de fácil acesso. As tarjas logo acima da página indicam os conteúdos disponibilizados e estão bem colocados, pois proporcionam ao espaço restante da página um espaço limpo, fácil de localizar os assuntos que se procura. Na figura dois, uma notícia sobre apreensão da polícia, e logo abaixo uma caixa de diálogo informando os assuntos relacionados. E à direita, links com as ultimas notícias. O leitor tem a noticia, e na mesma página já acessa assuntos relacionados, alem de ter à disposição no mesmo local, os últimos fatos do dia. No site do correio do povo o leitor é bem direcionado, a atenção dele não se perde em anúncios “piscantes” e “chatos”.

O que o internauta de procura hoje é mais do que o impresso, além da rapidez, também conhecimento , os veículos de comunicação se utilizam do online para ganhar dinheiro. Mas informação demais em uma página só, não traz grandes vantagens. Ao pensarmos que o leitor tem que fazer um esforço para encontrar e manter a concentração no que realmente lhe interessa, a notícia, o lucro obtido nos anúncios publicitários acabam se tornando falhas na busca pela fidelização do internauta.

Portanto, ao analisar desta forma, usando como critérios a fácil navegabilidade, e a quantidade de conteúdo, podemos dizer que o site do Jornal O correio do Povo, atende com mais eficácia a demando do leitor do que o site do Jornal Zero Hora.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nostradamus, mas nós publicamos

(por *Susan Liesenberg)

O jornalismo (principalmente o impresso, como vaticinam) não vai morrer, o papel não vai acabar e a roda - de ciranda, de violão, de carroça, da fortuna... - continuará a existir. Nada matará nada (ainda bem) e ninguém substituirá ninguém (o que pode ser triste, na falta de alguém querido). Apocalipse (now) é só um filme. E um livro da Bíblia, ok.

Sempre teremos olhos - e eles são, por si, curiosos e abertos - e essas duas circunferências agitadas e atentas que desvendam os mistérios escondidos sob a luz sempre vão querer ler o mundo. Essa leitura, de palavras em linhas e superfície em imagens, como disse Flusser, sempre será necessária, desde o primeiro piscar, ao nascermos, até o último deitar das pálpebras, naquele dia. Entre um momento e outro, percorreremos o mundo com eles, vasculharemos cantos, esquinas, páginas e paisagens. Olharemos, leremos.

Na mídia - seja na TV, no jornal jornal, na internet, na fotografia - continuaremos a ver, a ler. E por trás do que vemos, haverá alguém que somos. Informações não brotam de um pé de si-mesmas. Surgem às nossas vistas porque alguém do outro lado delas assim fez à luz - sempre ela - das possibilidades técnicas. E aí está o fascínio da comunicação: dos homens, e para eles. Sempre terá de ter alguém do outro lado da lente, da tela e do som. Falar de máquinas como se fossem fantasmas vagantes que nos assombram e sobre quem não temos gerência é mítico: serve para alimentar os romantismos das nossas narrativas terrenas, mas é apenas sonho.

O Jornalismo, ou seja lá o nome ou utilidade que terá, não vai morrer. Ele precisa do homem como o homem precisa dele. E as máquinas não sabem disso. Não há porque temê-las.

Cientistas comprovam: "Você é você. Hoje, amanhã e sempre"

(por *Susan Liesenberg)

Felipe Milanez, editor da National Geographic Brasil, da Editora Abril, foi demitido após criticar uma reportagem da revista Veja, publicada pelo mesmo grupo midiático, no Twitter.

Diretor da Locaweb, Alex Glikas, também passou pela última vez no RH ao provocar os torcedores são-paulinos com a frase "chupa bambizada timão eoooooooo" no microblog.

Octavia Nasr, do canal americano CNN, igualmente recebeu o cartão azul da empresa ao postar na rede social uma frase lamentando a morte de um aiatolá, uma afronta evidente aos americanos por razões que estamos com turbante na cabeça de saber (e Octavia certamente também estava).

Os três casos são recentes e retratam bem a confusão dos profissionais de comunicação com relação às redes sociais: para o público, não há distinção do sujeito, como se houvesse um alter ego que separasse Felipe, Alex e Octavia entre pessoas físicas e jurídicas.

É evidente que nos três casos citados, os jornalistas emitiram opiniões pessoais, mas para o leitores, o Felipe da revista e o Felipe do Twitter, por exemplo, são o mesmo, e são. O que leva um profissional de comunicação, que tem a visibilidade de sua imagem atrelada a uma empresa da área, a querer distinguir um momento - o pessoal - de outro - o particular?

Deixo como resposta o post do editor-executivo do Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS, Fabrício Cardoso, sobre o assunto.

Internet é a 2ª mídia com mais credibilidade

(por *Susan Liesenberg)

Ao notar que muitos colegas aqui do blog levantam a questão da confiabilidade das notícias publicadas online, lembrei também da pesquisa que aponta que a Internet é a segunda mídia com mais credibilidade. E, pasmem os mais tradicionalistas em termos de consumo de mídia, os sites estão à frente dos veículos impressos.

Para a pesquisa, cujo resultado foi divulgado em novembro de 2009, foram ouvidas 2,5 mil pessoas nas nove maiores capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre, entre agosto e setembro do ano passado.

A TV aparece na ponta, com 55,9% da preferência dos entrevistados - todos maiores de 16 anos - na escolha de veículo em que mais se pode confiar.

Recomendo a leitura dos dados, a metodologia da pesquisa e uma reflexão sobre a mudanças dos nossos hábitos de consumo de informação.

De minha parte, como análise, creio que muito da nossa resistência em confiar em fontes ou meio venha da nossa construção positivista de atribuir confiabilidade àquele ou àquilo que conhecemos a mais tempo, o que é natural do homem, à nossa formação. Mas, sendo a internet nossa presente e fututa companhia, acredita que seja necessário buscar nela os caminhos mais confiáveis de onde tiraremos nossas informações.

E como saber se podemos confiar nela ou em que site confiar? Da mesma forma como aprendemos a confiar em amigos, vizinhos, conhecidos: pela experiência, pela observação atenta e pelo nosso faro pessoal. Certamente podemos nos decepcionar em alguns casos. A vida é assim. Com a internet não seria diferente, e acho que, por isso, ela merece um bom crédito. Não há porque ser tão duro com ela se é fato que o exercício da confiança é diário, é uma construção de cumplicidade. Acusá-la de inconfiável antes de dar-lhe este crédito seria o mesmo que continuar a acreditar em tudo o que a TV diz - e a quem nós dedicamos mais da metade de nossa audiência e confiança, a exemplo da pesquisa. É tempo de rever - telas e conceitos.

Eu curto!


(por *Susan Liesenberg)


Textos curtos são mais lidos do que os mais generosos em suas linhas. É matemático, e quase publicitário. Menos palavras, menos leitura. A não ser que quem as tenha escrito - as linhas corridas sobre a tela ou o papel - seja dono daquele tipo de texto cada vez menos visto: o envolvente até o ponto final.

Aqui, na internet - e, preponderamente, no jornalismo digital -, cada vez mais se vê a redução deles, mas mais pelo atendimento da rapidez que a instantaneidade do meio requer do que pela "superficialidade" a que costumeiramente o relegamos.

Se não se julga um livro pela sua capa, o mesmo eu diria de um texto: considerá-lo superficial pela rapidez da apresentação de seu conteúdo me parece ser igualmente precipitado. Profundidade e tamanho não são a mesma coisa, embora nosso olho esteja adestrado para considerar assim à primeira vista de uma página dupla de um jornal impresso, por exemplo. Quanta informação! Não significa por isso, no entanto, que um post de dois parágrafos, por exemplo, não seja tão ou mais concentrado e potente informativamente do que as tantas folhas impressas. Conteúdo é potencialidade de informação, e não centimetragem.

Sobre isso, recomendo a leitura de Os textos leves e curtos da internet estão nos deixando mais burros?, postado hoje no clibRBS e publicado esta semana no caderno Nosso Mundo Sustentável. E um aviso: a redação é extensa, mas vale a leitura.

Isso é jornalismo 2010


(por *Susan Liesenberg)

O post da colega Ariela Dedigo, ao citar a cooptação de produções amadoras disponibilizadas na internet e aproveitadas por outros veículos de comunicação como material jornalístico, me inspira a escrever sobre o vendaval seguido de cheias ocorrido em novembro do ano passado no Rio Grande do Sul.

No dia 18 de novembro de 2009, as principais chamadas do site zerohora.com noticiavam a chegada de pancadas de chuvas e ventos fortes ao Estado. No dia seguinte, a previsão se confirmou. Na fronteira noroeste do Estado, rajadas sopravam já na alvorada trazendo chuva pesada. Por volta do meio-dia, na Capital, o dia virou noite em minutos e um dilúvio caiu sobre o Rio Grande.

Criada em meados de 2009, a conta twitter.com/zerohora foi um dos principais canais de trocas de informações e envio de materiais naquele dia – com destaque para o encaminhamento de vídeos do temporal e fotos da destruição da intempérie, mandados por leitores – num volume de informações nunca antes visto ou possível de ser alcançado na história do Grupo RBS, conforme foi admitido pela empresa.

Como resultado dessa fluência de dados que a conta no Twitter da Zero Hora possibilitou, mobilizou e gerenciou, o alto índice de audiência alcançado no dia – de 342.772 acessos individuais, quando numa data “normal” a média é de 270 mil – ressalta o interesse do leitor que acompanhava o site.

Sobre a alta audiência, a editora do site zerohora.com, Marlise Brenol, explica que a disponibilização de um canal de colaboração com o leitor para envio de dados sobre o vendaval possibilitou tal cobertura, e com tal amplitude e velocidade.

– Legal também registrar que a cobertura ultrapassou o ambiente ZH. Usamos muito redes sociais para nos comunicar com os leitores: covert live e Twitter com audiência de mais de 22 mil leitores e mais de 800 comentários. Sem falar na história pitoresca do surfe no dilúvio que entrou no blog “Pense www” e que foi o post mais lido da história do blog com a matéria O Surfista do Dilúvio, totalizando 25.185 views.

Em poucas palavras: isso é jornalismo 2010.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Redações Integradas

(por *Daiana Lenz)

No livro Resistências de La Integración, uma análise contempla diversos cases de veículos de comunicação que tiveram dificuldades ao implantarem mudanças em suas redações, além disso, o autor faz uma análise dos problemas enfrentados pelos veículos neste período de transição.

Os periódicos estão mudando sua forma, são novos rumos para o futuro dos jornais, pois a s tecnologias estão mudando as formas de fazer o impresso.

Os periódicos apresentam certa resistência à integração das redações, mas ao mesmo tempo, sabem que será preciso mudar a forma e buscar novas soluções e uma revolução do conteúdo. Estão em busca de reforço a credibilidade do digital, estimulando a criação de conteúdos multimídia. As vantagens de redações integradas são muitas, entre elas, um custo menor que as independentes.

A tecnologia tomou conta do público que consome as informações, hoje é difícil construir um projeto sem mudar a cultura profissional daqueles que fazem o jornalismo diário, a empresa precisa escutar os seus colaboradores. Porém algumas medidas tomadas muitas vezes por gestores podem ser prejudiciais à qualidade das informações dos veículos, como a troca de profissionais experientes por novos e redução de salários visando à ampliação de lucros. Estes fatores podem resultar em redações cada vez mais enxutas, com mais trabalho e falta de qualidade.

As empresas jornalísticas passam a produzir muito conteúdo com pouco aprofundamento, onde os valores giram em torno de quanto mais conteúdo melhor. Além disso, o número de profissionais é reduzido e as condições de trabalho tornam-se desfavoráveis, onde uma pessoa passa a fazer o trabalho de três.

A idéia de convergência significa muito mais do que uma simples mudança de tecnologias e meios, ele atinge o modo de ofertar informação para quem a recebe, sejam eles jovens, crianças, adultos ou idosos. A qualidade do conteúdo deve ser preservada.

Salaverría: "A regeneração do jornalismo na internet depende da excelência de quem vai exercê-lo."

(por *Susan Liesenberg)

Ramon Salaverría, um dos mais importantes estudiosos de Jornalismo Digital do mundo e diretor do Laboratório de Comunicação Multimídia da Universidade de Navarra, na Espanha, disponibilizou recentemente em seu blog parte de seu mais recente livro, "Ciberperiodismo sin periodistas? Diez ideas para la regeneración de los profesionales de los medios digitales".

Já pelo o que o título sugere, se uma regeneração é sugerida, houve - ou há - uma deterioração em prática. Para ir direto ao principal ponto levantado por Salaverría, o autor coloca sem delongas: "A regeneração profissional do jornalismo na internet depende sobretudo da excelência de quem vai exercê-lo. Por isso, dedicarei uma última proposta não aos meios, mas a quem tem a responsabilidade de formar os jornalistas de amanhã: os professores de jornalismo."

Lúcido, equilibrado e sagaz, características que o fizeram ser reconhecido mundialmente, Salaverría resume, sem precisar mencionar o Brasil, ainda em debate sobre o tema, o verdadeiro cerne da questão sobre a atividade jornalística online, o que não incide sobre o diploma, como é desvirtuada a discussão sobre a formação na área por aqui, mas sim, ressalta a qualidade da qualificação educacional na formação universitária.

Como estamos formando os futuros profissionais de jornalismo, e não quem pode ou não praticar o jornalismo sob o subterfúgio da diplomação empapelada exibida e enquadrada por trás de uma moldura de parede, é o que deve ser discutido. Se em tempos de internet o papel perde sua hegemonia vencida pela tradição secular da celulose, o mesmo, pode-se dizer, tem ocorrido com a queda do diploma: árvores são poupadas e o debate retoma a raiz, que é o fazer, e não o poder.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Gonzo Jornalismo?



(por *Ariela Dedigo)

Durante as enchentes no Rio de Janeiro em abril deste ano o grupo Rizoma realizou um vídeo no qual faziam uma travessia de bote nas imediações da Praça da Bandeira. Observa-se uma aproximação desse tipo de produção com o chamado Gonzo Jornalismo, uma narrativa na qual o jornalista, neste caso, o produtor de conteúdo já que não nos referimos necessariamente ao jornalismo, abandona qualquer pretensão de objetividade e se mistura com a ação que reporta.

No vídeo Enchente de Verdade, realizao pelo grupo, um dos integrantes entrevista pessoas paradas no trânsito em áreas alagadas e faz tomadas em locais nos quais, com equipamentos maiores e mais profissionais – se é que ainda é possível fazer essa distinção, seriam impossíveis ou no mínimo muito mais complicados de realizar.

Interessante também perceber que além de ser, por si só, um produto informativo – que foi disponibilizado na rede via youtube e vimeo, o vídeo desencadeou matérias sobre sua realização. Mas uma vez constatamos a apropriação de conteúdos da internet nos chamados “meios tradicionais”. Além disso, observa-se neste caso que a imagem – o vídeo – não é tratada somente como complementar à informação. Afinal, é ela quem deflagra o fato noticioso.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vertov e os vídeos de colaboradores


(por *Ariela Dedigo)

Na cobertura das enchentes do Rio de Janeiro – já citadas no post anterior – outro aspecto chama a atenção. Os vídeos enviados por colaboradores que reunidos davam um panorama dos estragos causados pelas chuvas.

Vamos aqui nos apropriar das ideias de Jair Giacomini, no texto O Olhar de Vertov para ver hoje, com o objetivo de fazer algumas considerações. O autor recupera o pensamento de Roland Barthes para quem o “Isto foi” da fotografia é substituído pelo “sendo”, o mundo real de novo, aqui e agora na tela. Não parece leviandade dizer que esse olhar disseminado, por diferentes pontos do Rio de Janeiro, nos proporcione essa sensação do real. Todos esses vídeos juntos formam um mosaico das conseqüências da tragédia e do que está sendo e/ou foi vivenciado pela população.

Quando Vertov fala do cine-olho, a não existência de um roteiro e sim de um plano de filmagem e que o homem não está com a câmera, ele é a câmera; parece ser possível aproximar essas teses do que está sendo apresentado e permitido pela emergência dos chamados produsers (produtores/usuários). Ele transforma seu olhar em conteúdo e o compartilha. Nem sempre esse conteúdo tem roteiro e montagem muito elaborados. Mas, como nesse caso do G1, diversas vezes de presta a uma captação da realidade, para recriá-la diante dos olhos do espectador, lhes causar sensações e, em algumas vezes de acordo com a proposta e finalidade, também informá-lo.

CTRL sêlo, CTRL vêlo...


(por *Ariela Dedigo)

Com uma passagem pelas matérias do G1 buscando informações sobre as enchentes do Rio de Janeiro e do Norte - Nordeste do Brasil , ocorridas este ano , é possível chegar a uma consideração interessante para discutir. Falamos tanto de todas as possibilidades que esse processo de convergência de mídias oferece, que palavras como inovação, liberdade, liberação, potencialização e poder de expressão, permeiam a maioria dos discursos sobre o tema.

Mas enquanto se discute narrativas intermídia, e qual a linguagem desse novo meio que tateiamos no escuro, pouco se fala sobre o que está sendo publicado nesses espaços “liberados”. No G1, ao observar os temas citados acima, se observa, por exemplo, uma repetição de matérias produzidas para os telejornais da Rede Globo, embedados em matérias que não são nada mais do que a transcrição ipsis litteris do que âncoras, repórteres e fontes declararam – com as mesmas estruturas e palavras. Um CTRL+C. CTRL+V um pouco mais elaborado. Decupagem básica.

Partimos para um olhar sobre blogs – ahhh afinal eles são “O” espaço de expressão, certo? E o que se percebe é a infinidade de cópias idênticas ou muito similares às matérias publicadas em sites, outros blogs, jornais, etc. E o mais chocante de tudo: existem pessoas que simplesmente agregam esse conteúdo em algum espaço/ferramente/url e se dizem “produtores de conteúdo”. Será que essa “convergência” está legitimando uma operação cujo resultado é: Produtores de Conteúdo = Chupadores de Conteúdo?

Claro, que falamos aqui em alguns casos específicos e se reconhece a existência de espaços que possuem uma proposta diferente. Mas é sempre bom olhar para nós mesmo. Que estamos fazendo? Se temos a possibilidade de dar vazão aos nossos pensamentos, porque não fazê-lo?

Esse assunto faz lembrar um poema da amiga e jornalista Cláudia Flores.

* * *
Basta.

estou cansada desta vida
control-sêlo e control-vêlo.

estou cansada desta vida
control-sêlo e control-vêlo.

estou cansada desta vida
estou cansada desta vida
estou cansada desta vida
contra o sê-lo e contra o vê-lo.
* * *

Abro aqui a campanha pró sê-lo e vê-lo.
Adeus CTRL. Se vemos... pensemos e falemos...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Copa da Imagem


(por *Glaucir Borges) Pegando o gancho da Patrícia vou falar de Copa do Mundo. O evento mobiliza a atenção da mídia em todas as partes do planeta e sobretudo no Brasil. A Copa está na televisão, rádio, jornais, internet e em outras mídias como as vitrines de lojas e os outdoors. A cada quatro anos, tudo vira Copa no Brasil. Jornais de emissoras como Globo, Record, Bandeirante, SBT dedicam a maior parte de seu noticiário ao evento e muitas vezes até mandam os seus apresentadores para o país sede. Os canais esportivos falam de Copa às 24 horas de sua programação.

Vivemos a era da tecnologia e da imagem. Tudo é imagem. A Copa da África do Sul é a Copa da Imagem. São 32 câmeras nos estádios que mostram todos os detalhes. E a grande sensação é o super slow. Vemos do suor dos jogadores até os gomos da Jabulani em alta definição. Presenciamos as expressões de alegria e sofrimento de atletas, técnicos e torcedores, como se eles estivessem no quintal de nossas casas. A imagem prevalece até mesmo na cobertura da Internet.

Na cobertura do canal Sportv, existe a crônica das partidas, que é texto e imagem. Uma voz, conta a partir de um texto escrito de maneira poética como foi o jogo, sempre permeado pelas imagens da partida, a maioria em super slow.

Na cobertura on-line as imagens parecem também prevalecer. Sites como globo esporte.com, lance.net, Clic esportes priorizam a imagem. O texto parece ficar em segundo plano. Também são usadas muitas fotos de agências como Reuters. Muitas vezes percorrendo os diversos veículos on-line vamos ver exatamente as mesmas fotos sendo usadas.

O tipo de cobertura parece ser a mesma. A possibilidade da interação do espectador aumentou, mas acho acho que falta criatividade. No pouco e modesto texto que encontramos na net, vemos o mesmo tipo de abordagem. São poucas que oferecem algum tipo de novidade, que tentam dar outro tom as suas coberturas. Um dos raros exemplos é o pequeno blog Anel Superior que tenta explorar os lados pouco usuais das coberturas, com textos com mais humor, irônicos.

A Internet abre novas possibilidades de difusão de informação. Abre a possibilidade de abordagem de temas variados, abre a possibilidade da criação de novos atores na produção de conteúdo. Mas como já falado, os veículos on-line parecem repetir o que é feito pela televisão. Talvez pelo fato de a Internet ainda não ter definido qual é a sua linguagem. Penso que a grande revolução a ser feita na linguagem da web é a dos pequenos blogs. A originalidade deve partir deles. Quanto as imagens elas são inevitáveis e devem ser bem usadas.

Novas tecnologias e a cobertura da Copa do Mundo FIFA – 2010

(por *Patrícia Pinto Lemos)

Diferente de edições anteriores, a transmissão da Copa do Mundo 2010 teve a presença maciça das tecnologias digitais, assim como das mídias sociais, modificando a forma de transmissão e interação com o campeonato. Além disso, pela primeira vez as partidas do torneio foram transmitidas por meio de tecnologia 3D. A FIFA assinou um contrato de direitos de mídia com a Sony para transmitir imagens em 3D de até 25 partidas da Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010. Outra questão foi o posicionamento de câmeras em novos ângulos, mostrando alta definição de imagem, além da transmissão com replay em telões dos estádios, fato que mudou durante o campeonato. A FIFA pediu para que lances polêmicos não fossem reprisados aos torcedores, afim de evitar conflitos nos estádios.

Outra polêmica do campeonato em 2010 foi quando a International Football Association Board (IFAB), responsável por fazer mudanças nas regras do futebol, vetou a realização de experimentos tecnológicos que poderiam ajudar os árbitros em lances polêmicos durante as partidas. A decisão de barrar os instrumentos tecnológicos foi tomada depois que especialistas fizeram apresentações com novas tecnologias para auxiliar os juízes através de imagens de vídeo. Essas alternativas já vinham sendo testadas em alguns jogos, principalmente nos casos em que havia dúvida sobre a entrada da bola no gol. Contudo, a IFAB resolveu encerrar essas pesquisas, que previam o uso de “bolas inteligentes”, providas de microchips e de potentes câmeras para registrar as jogadas (chamado de Olho de Águia). A entidade alegou que se deve confiar e manter o futebol como um jogo em que prevalece o lado humano.

A quantidade de dados trafegados no período da Copa foi muito maior do que em qualquer outra época. Nesta Copa tem de se considerar o número de pessoas nos estádios com celulares gravando jogadas e fazendo upload para o YouTube ao mesmo tempo. Pessoas twittando de todas as partes do mundo e posts no Facebook, que atingiram um número sem precedentes, estrangulando as redes em determinados momentos. Além desse lado técnico, houve o lado do confronto virtual entre torcidas do mundo inteiro. Na Europa houve movimentos de quem postou mais no Twitter durante os jogos, o melhor vídeo feito de dentro do estádio, etc. gerando um número de imagens interessantes, saindo das tradicionais coberturas televisivas.

Sem dúvida esta foi a Copa das mídias sociais, das imagens e da participação da torcida. Se antes, o máximo que o público podia fazer era dar seus palpites em meio à rodas de conversa ou então entoar gritos uníssonos nos estádios, a opinião se alastrou pela web de maneira incontrolável. Durante o campeonato os trending topics mundiais (assuntos mais comentados no Twitter) eram nomes de jogadores ou os times em campo.

A tecnologia também tirou o torcedor da condição de espectador o reposicionou como integrante do espetáculo por meio de câmeras amadoras, fugindo ao senso comum das tradicionais coberturas. Imagens de partidas ou bastidores exclusivas foram postadas na web, modificando a forma de transmissão do evento.


Critérios de noticiabilidade na política em jornais do interior

(por *Patrícia Pinto Lemos)

Esta análise se propõe a comparar os critérios de noticiabilidade na editoria de política dos jornais diários da cidade de Santa Maria (RS), com o exemplo das edições do dia 19 de maio de 2010. A pauta em questão é a posse dos novos secretários na Prefeitura. A notícia já era sabida e a maioria dos nomes já especulados por colunistas locais de política. Ou seja, a função dos jornalistas seria publicar a reportagem, já prevista em agenda, e buscar as novidades, o inusitado, a notícia na pauta.

A edição do Jornal A Razão (http://www.scribd.com/doc/31593839/190510 e http://www.scribd.com/doc/31593839/190510) tratou o assunto como manchete e foto de capa pousada. A questão é: a quem interessa a foto posada do prefeito e seu novo secretariado? O fato demonstra um bairrismo equivocado e uma falta de critério de noticiabilidade. A situação mostra a como jornais pequenos acreditam que todo e qualquer movimento político pode ser uma grande notícia.

Para fazer um contraponto deste exemplo, há o jornal concorrente direto do A Razão. O Diário de Santa Maria (http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,43,2908129,14721), não deu nem chamada na capa. Noticiou o fato, trouxe o nome de um dos empossados como surpresa à população e falou de peculiaridades do assunto na coluna de política da publicação.

A diferença da valorização do assunto por ambas publicações é gritante. Apenas uma edição é suficiente para se ter uma ideia do perfil editorial de cada um e da relação com o público leitor.

Ferramentas digitais X pensamento analógico

(por *Patrícia Pinto Lemos)

A convergência das mídias vem ocorrendo em ritmo acelerado, porém, a forma de pensar este contexto não acompanha tamanha rapidez. As ferramentas proporcionam tal convergência, ao passo que os recursos ainda não são explorados de forma efetiva. Há ferramentas digitais, porém o pensamento é analógico, tendo em vista a dificuldade em ter uma ampla visão da melhor forma de utilizar as plataformas como forma de prestação de serviço.

Enquanto a tecnologia se aprimora, muitas vezes perde-se tempo na tentativa de categorizar as novas mídias com discussões do tipo: blog é jornalismo? Twitter é fonte? Isso são fortes vestígio da forma analógica de ver o mundo e ter de rotular as ferramentas ao invés de discutir: qual a melhor forma de explorar isso para que seja útil?

Prova da ineficácia da convergência pode ser dada no próprio jornalismo. Sites muitas vezes dão a notícia em forma de texto e vídeo, sendo que o off das imagens nada acrescenta do que foi dito no texto. A tal interatividade proposta pelos de comentários é barrada por moderadores, o que faz com que muitas opiniões, talvez relevantes, mas que por motivos políticos por exemplo, sejam vetadas. Enfim, temos as ferramentas, mas para utilizá-las da melhor forma explorando a convergência, ainda há um longo caminho.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tecnologia Aplicada na cobertura das eleições

(por *Luiz Otávio Soares)

Tecnologia aplicada na cobertura das eleições - CASO do uso de duas plataformas na entrevista com a candidata à Presidência da República Marina Silva (PV) - no Porta r7 e na Revista Isto É.

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, abriu nesta quinta-feira (15) a série de sabatinas promovidas pelo R7 com os candidatos de 2010 (http://www.r7.com/). Ela respondeu às perguntas dos jornalistas Christina Lemos, da TV Record, Eduardo Ribeiro, da Record News, Gisele Silva, editora de Brasil do R7, e de um blogueiro convidado do portal, espaço ocupado neste primeiro por Marco Antônio Araújo, do blog O Provocador.

No mês passado a edição nº 2117 da Revista Isto É deu a capa à candidata. Os jornalistas Octávio Costa e Sérgio Pardellas elaboram a matéria e a candidata respondeu a perguntas de diversos jornalistas da Isto É, inclusive diretores (chamado de encontro com editores 2010).

Neste trabalho faço uma comparação de como foi à exposição de Marina Silva nas duas mídias, os pontos em comum, os divergentes e as formas de apresentação do conteúdo nas duas plataformas.

Pontos em Comum entre a revista e o site:
* Apresentação da candidata, trajetória política (a passagem pelo PT e a militância pelo meio ambiente), e história de vida, como ter sido alfabetizada aos com 16 anos e ter feito supletivo para entrar na Universidade Federal, no curso de história;
* A revista também postou um vídeo da entrevista em http://www.istoe.com.br/
* Imagens de Marina feitas durante a entrevista;
* Espaço (mural) para o internauta expor o que achou das respostas;
* Fórum com opiniões dos leitores

Aspectos distintos:
* Poucos recursos no site, plataforma não foi bem explorada;
* Apresentação e forma atrativa dentro da revista, com, fotos da candidata, do vice Guilherme Leal e da mesa com todos os entrevistadores;
* Enquanto havia a entrevista em tempo “real”, paralelamente estavam havendo discussões num chat do r7;
* Como o r7 é do Grupo Record, o canal Record News transmitiu a entrevista em outro horário, dentro da grade de programação da emissora;
* Na revista Marina foi colocada frente a diversos profissionais da comunicação, já no site foi questionada com perguntas da platéia, emails e dos três comunicadores;
* Blog das eleições 2010 com link no r7

Perguntas do site (jornalistas, internautas e platéia).

- Pesquisas de boca a boca que dizem “não votem nela, apesar de boa não tem como ela ganhar”, o que pensa disto;
- O blogueiro questiona o pouco patrimônio de Marina e se ela é boa em economia;
- O que pensa da taxação das grandes fortunas;
- Como vê a questão do novo código florestal/ ambiental;
- Como espera ser recebida por uma bancada ruralista dentro do governo;
- Manutenção do bolsa família;
- O que fará para melhorar a educação e como;
- Inclusão digita será feita de que formal;
- Como irá se organizar o governo de Marina e com quem irá governar;
- Se a candidata quer PT e PSDB em seu governo
- Religião - Casamento gay;
- Uso da maconha, álcool e daime. Se já usou e o que diz sobre a questão;
- Diferenças entre ela e Dilma;
- Legalização do aborto;


Perguntas da revista Isto É (neste caso Guilherme Leal participou dando algumas respostas)

- Como a candidata se define, já que Dilma é extensão do governo Lula e Serra um pós-Lula;
- Se ela se considera a candidata ideal para implementar tantas mudanças no futuro do Brasil;
- Caso vence, ao final dos quatro anos de mandato de que irá se orgulhar de ter feito;
- O que teve de enfrentar no governo a deixou chocada;
- Se guarda mágoa do presidente Lula;
- O que acha sobre ter de abrir mão de investimentos como Belo Monte;
- Existe alguma hidrelétrica modelo;
- Se a candidata quer PT e PSDB em seu governo;
- Como está de saúde, pois teve três hepatites e malária;
- Como ela vê a questão de ter estudado, mesmo sendo de origem pobre, e mesmo não ter acontecido com Lula;
- Como está atuando o vice na campanha, se ajuda à alinhavar apoio;
- Quanto Guilherme Leal vai dar para a campanha;
- Se aceitarão doação de bancos para a campanha;
- De quem não aceitaria doação;
- Qual o plano para educação;
- Métodos que usaria para acabar com a corrupção;
- Como vê a política pública de combate às drogas;
- Legalização da maconha e união de pessoas do mesmo sexo;
- Mesmo não estando bem, acredita em uma virada;

Percebi que as perguntas feitas pelo r7 sempre tinham um fundo mais provocativo e por vezes debochado, puxando para as questões mais polêmicas e delicadas, até mesmo por muitas das perguntas vinham de internautas pré-inscritos para participar da Sabatina. Já as perguntas dos jornalistas e editores de Isto É, foram mais voltadas para as propostas políticas de Marina e sobre a visão que ela tem do governo Lula e do futuro do meio ambiente.

Links: Disponível em:
- http://noticias.r7.com/brasil/noticias/assista-a-sabatina-de-marina-silva-no-r7-20100715.html;
- www.istoe.com.br/reportagens/77849_PODEMOS+ANTECIPAR+O+FUTURO+PARTE+1?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tecnologia e jornalismo em tempos de convergência

(por *Luiz Otávio Soares)

Quando se trata de implantar um processo de convergência entre distintos meios, não basta resolver os fatores econômicos. Logísticos e tecnológicos; um desafio prévio a esses aspectos é o de implantar uma nova cultura profissional de muita confiança e disponibilidade de colaboração.

Se deseja que os meios colaborem entre si, é imprescindível que alguém os coordene e que se cumpram as regras de funcionamento. Essa pessoa deverá ser responsável em instaurar certas “leis federais” que todos os meios e seus repórteres estarão obrigados a respeitar e que permitam uma colaboração entre eles.

Está claro que qualquer empresa jornalística prefere que seus meios sejam complementares entre si, no lugar de reduntantes. Hoje em dia, no entanto, assistimos a uma situação, até certo ponto cômica, em que todos os meios de um grupo se esforçam para publicar tudo. Como resultado dessa falta de estrategia editorial, o público termina recebendo os mesmos conteúdos várias vezes em plataformas diferentes.

Todo jornalista sabe que, salvo que se trate de exclusivas, não tem sentido que os jornais impressos reservarem informações para o dia seguinte, pois o público terá acesso a elas com toda a segurança através de múltiplos meios digitais e audiovisuais minutos depois de saber do ocorrido.

Hoje, no entanto, grande parte dos sistemas de edição seguem sendo estritamente monomedia. Permitem realizar trabalhos de produção, gestão e publicação de conteúdos para um único suporte. O jornal, a rádio, a televisão e internet contam com seus próprios sistemas independentes.

Comparações entre The guardian e Estado de São Paulo:

THE GUARDIAN
• As mudanças permitiram, por exemplo, que as reportagens do the observer tenham um suporte multimidia adequado.

• Usuários podem publicar conteúdos diretamente. O jornalista filtra a informação (editor de conteúdo) - Web 2.0 - (gatekeeper)

• The guardian.co.uk produz suas própria reportagens.

ESTADO DE SÃO PAULO
• As redações trabalham no mesmo espaço físico. O plano é que trabalhassem conjuntamente. Integrá-las. Apenas uma REDAÇÃO para todos os veículos do grupo.

• Uma única redação de repórteres ofereceria conteúdos a equipes de editores específicos para cada um dos meios.

• Mas a proposta mais importante não veio com a reforma gráfica e nem com a ordem das seções. A proposta principal foi instalar em cada meio – esta vez jornal e página da web- uma mesa de edição central.

• Na segunda fase das modificações, essas mesas se integrariam por um simples procedimento de juntar-las uma ao lado da outra no centro da redação.

• Essas mesas são cruciais. Os chefes dos distintos meios falam entre si, os repórteres também.

• Na Mesa Central os editores/jornalistas trocam informações e negociam decisões.

“Web 3.0”, também conhecida como “Web Semântica”, que será uma internet “mais inteligente” do que a internet que vimos nascer. Há hoje uma enorme quantidade de informação nas redes, e as questões fundamentais têm sido como organizá-la melhor e como tirar melhor proveito desse enorme banco de dados.

O mais irônico é o fato dessa “internet mais inteligente” depender da intervenção humana para funcionar bem. A informação que trafega pela web não é compreendida pelos computadores. As máquinas não entendem o significado das palavras e é por isso que, muitas vezes, nossas buscas atingem resultados descabidos.

Surgiu a ideia de “ensinar aos computadores” o significado da informação. Esse é o fundamento da web semântica: usar uma linguagem que representa a informação, que dá significado aos seus conteúdos. Computadores não sabem diferenciar entre sujeito, verbo e predicado numa frase.

Para isso foi desenvolvida a linguagem RDF (Resource Description Framework), uma linguagem que “representa a informação”. Por meio dela, cada termo ganha um significado associado, previamente atribuído pelo usuário, que classifica os elementos de um documento conforme sua ontologia.

O uso de RDF ainda é restrito nas empresas jornalísticas. Experiências pioneiras surgiram nas mídias digitais do New York Times e do The Guardian, que já oferecem conteúdos com seu código aberto a desenvolvedores. Assim, esses conteúdos podem ser publicados em numerosos aplicativos desenvolvidos por terceiros, tal como um software de código aberto. Mas esse é apenas um pequeno passo dentre as múltiplas possibilidades que a web semântica oferece.