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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ciberjornalismo e as redes sociais


(por *Susan Liesenberg)

Orkut, Facebook, Twitter... e "acesso bloqueado". Nos últimos anos, quando as redes sociais e os sites de redes sociais - sim, são coisas diferentes - viraram moda, muitas empresas jornalísticas impediam que se fizesse login para elas. Os argumentos iam de "se tratar de acessos de interesse pessoal e sem necessidade para a corporação" até uma distração que "comprometia o trabalho na redação." Quem esteve dentro das redações jornalísticas até este ano sabe bem disso, o que era uma pena.

Repórteres tinham ali um recurso riquíssimo de informações, fontes, fotos e cases. Matéria sobre pressão alta? Procure no Orkut alguma comunidade relacionada a isso, entre em contato com alguém da lista e faça uma entrevista para ilustrar a matéria, por exemplo. Simples e rápido, se não fosse o bloqueio da TI para acessá-los, a pedido da direção.

No entanto, viu-se que tal proibição era a contra-mão de um processo importante para o fazer jornalístico, cada vez mais integrado ao leitor, colaborativo e dialógico entre leitores e jornalistas. Post recente da colega Ariela Dedigo relatou sobre o jornal espanhol El País, que criou uma rede social para justamente colocar seus jornalistas em contato direto com o público.

Este mês, o colega Gerson Martins justamente comentou da importância desse contato, tanto pelo relacionamento imprescindível no jornalismo participativo como para justamente aquilo que relatei acima: um caminho para encontrar informações e cases interessantes. Recomendo a leitura, bem interessante.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cientistas comprovam: "Você é você. Hoje, amanhã e sempre"

(por *Susan Liesenberg)

Felipe Milanez, editor da National Geographic Brasil, da Editora Abril, foi demitido após criticar uma reportagem da revista Veja, publicada pelo mesmo grupo midiático, no Twitter.

Diretor da Locaweb, Alex Glikas, também passou pela última vez no RH ao provocar os torcedores são-paulinos com a frase "chupa bambizada timão eoooooooo" no microblog.

Octavia Nasr, do canal americano CNN, igualmente recebeu o cartão azul da empresa ao postar na rede social uma frase lamentando a morte de um aiatolá, uma afronta evidente aos americanos por razões que estamos com turbante na cabeça de saber (e Octavia certamente também estava).

Os três casos são recentes e retratam bem a confusão dos profissionais de comunicação com relação às redes sociais: para o público, não há distinção do sujeito, como se houvesse um alter ego que separasse Felipe, Alex e Octavia entre pessoas físicas e jurídicas.

É evidente que nos três casos citados, os jornalistas emitiram opiniões pessoais, mas para o leitores, o Felipe da revista e o Felipe do Twitter, por exemplo, são o mesmo, e são. O que leva um profissional de comunicação, que tem a visibilidade de sua imagem atrelada a uma empresa da área, a querer distinguir um momento - o pessoal - de outro - o particular?

Deixo como resposta o post do editor-executivo do Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS, Fabrício Cardoso, sobre o assunto.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O mundo do futuro

(por *Glaucir Borges)

Na última sexta, dia 16, eu fui ao show do Capital Inicial, no Pepsi On Stage, em Porto Alegre. Lá eu me deparei com algo curioso e sintomático destes nossos tempos de hiperconexão. Logo depois de começar o show, a banda mal tinha aparecido para a primeira música, boa parte da platéia imediatamente sacou o seu celular e começou a gravar. Foi uma imagem impressionante, centenas de pessoas estáticas, assistindo ao show através de uma pequena tela, ao invés de pular e aproveitar os acordes do bom e velho rock and roll. Elas pareciam querer gravar o show para assistir em casa.

Na sociedade hiperconectada, muitos daqueles vídeos do show inevitavelmente foram parar no youtube. Primeiros erros em Porto Alegre, 16/07, postado por fulaninhadetal. Isso é o que Paula Sibilia chama de O show do eu. Todos querendo uma migalha de fama virtual, nem que seja através de Dinho Ouro-Preto e cia. A tecnologia muda cada vez mais a relação das pessoas com as outras pessoas e o mundo ao seu redor. Computadores, celulares, parecem se tornar extensões dos corpos das pessoas. Algo estranho para alguém como eu, que acessou a Internet pela primeira vez aos 16 anos e ainda compra CDs e livros de papel. Fico pensando se um dia, como no filme O Exterminador do Futuro, as máquinas ganharão existência própria e escravizarão a humanidade.

Fecha a conta e passa a régua!


(Por *Ariela Dedigo)

Falhas na gestão do sistema é a alegação da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro para mover uma ação civil pública contra o Google. O “monstro” da ação segunda matéria do G1 é o Orkut, a quem o órgão afirma ser palco para “condutas ilícitas e criminosas”. Mesmo que a rede social em si não seja o agente criminoso, a Procuradoria acredita que por não possuir nenhum mecanismo eficiente de controle do conteúdo que impeça que seja verificada a identidade de quem acessa o serviço, acaba favorecendo as práticas criminosas.

A ação solicita também que seja realizada uma campanha midiática para “alertar pais e responsáveis sobre os riscos de utilizar a internet e o Orkut”. É compreensível a preocupação da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, mas sempre que vejo notícias como esta questiono também até quando vamos culpar tecnologias e dispositivos por problemas sociais que existem no país. A campanha pode ser válida, mas mais uma vez parece que vamos recorrer a estratégias já vistas por aqui: elas duram um período e depois somem. Mas é claro, é mais fácil fazer campanhas pontuais, multar, censurar e fechar uma rede social do que investir em educação continua sobre esses temas ligados diretamente a rotina das pessoas, principalmente dessa geração Y e as próximas que virão por aí.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CTRL sêlo, CTRL vêlo...


(por *Ariela Dedigo)

Com uma passagem pelas matérias do G1 buscando informações sobre as enchentes do Rio de Janeiro e do Norte - Nordeste do Brasil , ocorridas este ano , é possível chegar a uma consideração interessante para discutir. Falamos tanto de todas as possibilidades que esse processo de convergência de mídias oferece, que palavras como inovação, liberdade, liberação, potencialização e poder de expressão, permeiam a maioria dos discursos sobre o tema.

Mas enquanto se discute narrativas intermídia, e qual a linguagem desse novo meio que tateiamos no escuro, pouco se fala sobre o que está sendo publicado nesses espaços “liberados”. No G1, ao observar os temas citados acima, se observa, por exemplo, uma repetição de matérias produzidas para os telejornais da Rede Globo, embedados em matérias que não são nada mais do que a transcrição ipsis litteris do que âncoras, repórteres e fontes declararam – com as mesmas estruturas e palavras. Um CTRL+C. CTRL+V um pouco mais elaborado. Decupagem básica.

Partimos para um olhar sobre blogs – ahhh afinal eles são “O” espaço de expressão, certo? E o que se percebe é a infinidade de cópias idênticas ou muito similares às matérias publicadas em sites, outros blogs, jornais, etc. E o mais chocante de tudo: existem pessoas que simplesmente agregam esse conteúdo em algum espaço/ferramente/url e se dizem “produtores de conteúdo”. Será que essa “convergência” está legitimando uma operação cujo resultado é: Produtores de Conteúdo = Chupadores de Conteúdo?

Claro, que falamos aqui em alguns casos específicos e se reconhece a existência de espaços que possuem uma proposta diferente. Mas é sempre bom olhar para nós mesmo. Que estamos fazendo? Se temos a possibilidade de dar vazão aos nossos pensamentos, porque não fazê-lo?

Esse assunto faz lembrar um poema da amiga e jornalista Cláudia Flores.

* * *
Basta.

estou cansada desta vida
control-sêlo e control-vêlo.

estou cansada desta vida
control-sêlo e control-vêlo.

estou cansada desta vida
estou cansada desta vida
estou cansada desta vida
contra o sê-lo e contra o vê-lo.
* * *

Abro aqui a campanha pró sê-lo e vê-lo.
Adeus CTRL. Se vemos... pensemos e falemos...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O impacto do Twitter na sociedade como suporte para campanhas políticas e utilidade pública

(por *Patrícia Pinto Lemos)

O Twitter, ferramenta categorizada como microblog, foi criado em 2008 com o intuito inicial de ser uma espécie de diário onde as pessoas relatavam o que estavam fazendo naquele exato momento. A caixa de texto da rede social era preenchida sob a perspectiva da pergunta “O que você está fazendo?”. Porém, com o passar do tempo a ferramenta se mostrou com outras utilidades. Prova disso foi a pergunta do microblog que alterou para: “O que está acontecendo?”. Neste contexto, será abordado o uso da ferramenta em relação ao cenário político e como instrumento de utilidade pública.

De fato as pessoas começaram a dar inúmeras funções ao Twitter. Uma das primeiras situações em que o microblog mostrou a sua força foi nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Boa parte da campanha de Barack Obama foi planejada estrategicamente via Internet e pelo Twitter. Por meio da ferramenta o político angariou uma multidão de eleitores, e mais, colaboradores financeiros. Este ano, no Brasil, os principais candidatos à presidência também fazem uso do mesmo meio, expondo suas agendas, opiniões, fotos, etc. Mesmo a realidade brasileira sendo bem distante da norte-americana, os canditados estão apostando em suas popularidades via Twitter.

Outro aspecto relevante envolvendo a ferramenta é o seu uso como suporte para utilidade pública. Informações instantâneas sobre trânsito, política, saúde, filas, segurança, etc., são postadas a todo instante. A agilidade é tal qual um site jornalístico ou mesmo uma rádio. Neste quesito também é possível que os espectadores tornem-se emissores das notícias. Muitos veículos de comunicação se utilizam de dados enviados pela audiência para retwittar aos seus seguidores. Com certeza essa nova mídia alterou a rotina produtiva nos veículos de comunicação, sendo agora o Twitter integrante do processo.

Pelo menos sob os dois aspectos analisados neste texto pode-se perceber o impacto do Twitter na sociedade. Seja como suporte para informações de utilidade pública ou na política. O público que antes enviava seus e-mails para TVs, telefonava para as rádios, mandava suas cartas para jornais, entoava gritos de ordem em estádios de futebol, agora expressam todas essas opiniões por meio do microblog. Sim, isso já existia na web em outras redes sociais. Porém, se potencializou com o Twitter em função das suas duas principais características: instantaneidade e praticidade (número reduzido de caracteres). O grande número de informações cruzadas por ele e acessadas pelos usuários passou a formar movimentos que ganharam expressão fora da web. Exemplo: o #calabocagalvão, que foi capa da revista Veja e tratado inclusive pela própria Rede Globo.

Não se pode deixar de considerar que a proporção de pessoas que têm acesso a web e, principalmente, ao Twitter é mínima diante do número total da população. Portanto, tais ideias, movimentos e demais informações, chegam diretamente a apenas um pequeno grupo. Mesmo assim, não se pode desconsiderar a relevância social do Twitter como ferramenta integrante do processo de uma sociedade que vive a convergência de mídias.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Eskup es periodismo?



(por *Ariela Dedigo)

Que os jornais buscam formas de sobreviver, ou no mínimo de se adaptar, ao novo cenário da informação e o desenvolvimento de negócios digitais não é novidade. Pensar o jornalismo no contexto contemporâneo também não é tarefa fácil. Talvez, antes buscar definir se blog é jornalismo, se é possível fazer jornalismo no twitter, plurk ou em qualquer outra rede social ou ferramentas disponíveis, o momento seja propício para observar o que está sendo feito, apropriações, alterações e adaptações de relações, formas de diálogo e de publicização de informação.

Seguindo essa proposta de observação, falemos um pouco sobre o Eskup. Lançado no mês passado pelo El País - diário espanhol reconhecido pelo pioneirismo e investimento em tecnologias e produtos que se adaptem a essa realidade das tecnologias de informação e comunicação (TICs) - o Eskup é uma espécie de twitter, que possibilita que os internautas se manifestem, mas com dobro de caracteres, ou seja 280. A proposta é converter a redação em uma rede social e proporcionar que o leitor esteja conectado com os jornalistas discutindo, compartilhando e conversando sobre temas da atualidade.

A interface é muito simples. São criados canais de discussão de acordo com temas e o leitor/internauta, após criar seu perfil na rede, pode interagir com os jornalistas e outros integrantes da rede. Operacionalmente é possível compartilhar vídeos, fotos etc. Mas dois aspectos sobre o Eskup parecem saltar aos olhos.


Primeiro, o que levaria uma empresa a investir no desenvolvimento de uma ferramenta própria de rede social enquanto aplicativos podem ser usados para incorporar outras redes ao sites e blogs - como o Twitter, por exemplo? É possível pensar que existe aí um planejamento comercial que inicialmente não chega a nós, leitores. Podemos ser surpreendidos em breve. Mas é interessante ficarmos atentos à isso. Enquanto a rede oferece ferramentas gratuitas alguns investem em aplicativos próprios e outros decidem aproveitar o que já existe disponível - um exemplo disso são as coberturas em tempo real usando o cover it live. Outra hipótese para que veículos como o El País optem pelo desenvolvimento de seus próprios meios também pode ser, além da questão comercial, uma visão clara do quão "pseudogratuitas" ou "pseudolivres" seja a utilização dessas redes. Exemplo disso são as comunidades do Ning, que passaram a ser pagas. Ou seja, rede gratuita e livre até a página dois da história.


A segunda perspectiva interessante veio de um post do blog Periodistas 21, escrito por Juan Varela, jornalista e consultor de veículos de comunicação. Em um post sobre como os grande diários espanhóis se posicionam diante da aposta da informação digital, ele afirma que o Eskup busca "ampliar la potencia del periodista como marca personal". Observa-se que as mídias digitais, depois de um movimento forte de incorporar o jornalista à empresa vem personificando, dando cara a quem está na redação, na frente de batalha. Exemplo disso não é nem só o Eskup, mas os perfis pessoais de jornalistas que utilizam as redes sociais como e para fins profissionais.

Aqui claro, cabe mais um série de discussões. Perfis pessoais de jornalistas que são monitorados pelos veículos, a questão da impossibilidade de sermos fragmentados - ora profissional, ora pessoal nas redes sociais - e de sermos devidamente interpretados nesses papéis diferentes por aqueles com quem nos relacionarmos, o risco de potencializar ainda mais a egolatria dos jornalistas e uma infinidade de outros questionamentos. Mas o que se propôs aqui é simplesmente casar olhar e reflexão sobre algo que está acontecendo conosco e entre nós. Que és Eskup? Se é jornalismo, não se sabe. Por isso, talvez a questão seja tirar o jornalismo daquele velho arquivo, indexado lá na letra J, e falarmos então dos fluxos de informações nesses novos espaços de diálogos que nos são apresentados a cada dia. Seguimos observando... e discutindo, sempre!

sábado, 26 de junho de 2010

O diabo do passarinho

(por *Susan Liesenberg)

Ingênuo lançar um movimento no Twitter, o curralzinho VIP da web, a exemplo do #diasemglobo, e achar que ele mobilizaria a massa que quer samba, suor e cerveja na laje. Também não vejo sentido nesse frisson - nesse "hype" - de querer ter algo contra a Globo só pra aderir ao "must have" da hashtag do momento. Frankfurtianos tardios, querem demonizar a Globo depois de anos de audiência? E o Nike nos pés de vocês? Quem costurou? A família Marinho? A Globo faz parte da nossa memória afetiva desde sempre - e quem negar isso, tem dupla nacionalidade, pois deve ter vivido em Plutão desde que nasceu!

Demonizemos a Globo! Enquanto isso, vamos desfilar Nikes, atualizar o Facebook e twittar muito, pois assim somos livres de objetos de dominação, não é? Disse o instigante pesquisador Henrique Antoun, na última Compós, na PUCRIO: "A hashtag só diz algo enquanto faz fervilhar o caldeirão. Depois, não diz mais nada. "O Twitter é movimentado por pequenos Robertos Marinhos, que ditam os movimentos e ordenam o rebanho. E o rebanho segue feliz." Ponto final.